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Planos de Lula e Flávio Bolsonaro têm 'buracos' em temas-chave para o agro

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Planos de Lula e Flávio Bolsonaro têm 'buracos' em temas-chave para o agro

Fertilizantes, crédito e seguro rural são, invariavelmente, três dos assuntos que mais preocupam os produtores rurais de todo o país. No entanto, grande parte das menções a esses temas nos planos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro (PL) é vaga, imprecisa ou até inviável.

No caso do crédito rural, Lula menciona que a oferta de recursos ao campo foi crescente em seu terceiro mandato, o que é verdade, mas o aumento dos juros limitou o acesso às linhas para muitos produtores. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mal toca no assunto em seu plano de governo, fazendo menção indireta, a despeito da importância do tema.

"A demanda total por crédito para financiar a produção, o investimento e a comercialização já ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão por ano. Em contrapartida, o Plano Safra 2025/26, embora seja o maior da história, com R$ 516,2 bilhões, cobre apenas metade dessa necessidade", afirma o documento "Um Plano para o Futuro do Agronegócio Brasileiro: Financiamento, Gestão de Risco e Resiliência Climática".

O documento foi elaborado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). "Esse hiato de financiamento, de quase R$ 500 bilhões", dizem as entidades, "representa o principal gargalo para um novo ciclo de crescimento."

Em 2025, apenas 3,3% da área de cultivo tinha cobertura de seguro rural no Brasil, de acordo com a CNSeg. Isso significa que, na prática, quase todas as lavouras do país estão expostas a perdas com problemas climáticos — um risco que ganha tons ainda mais preocupantes por ser este um ano de ação do "Super El Niño", fenômeno que pode aumentar o volume de chuvas na região Sul e levar a estiagem no centro-norte do país.

A pandemia de covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que limitaram o comércio internacional de fertilizantes, mostraram mais uma vez como a dependência de insumos importados é um calcanhar de Aquiles do agro brasileiro. Os agricultores locais ficaram ainda mais expostos a choques de oferta, que elevaram os custos de produção e acabaram levando a prejuízos no campo.

O que dizem (e não dizem) os candidatos sobre fertilizantes, crédito e seguro rural.

Lula "Daremos especial atenção ao fortalecimento da política de seguro rural", diz o plano de governo. O documento prevê "diálogo com o setor produtivo para viabilizar um instrumento de mitigação dos efeitos das catástrofes para cobrir perdas sistêmicas decorrentes de quebras severas de safra e para promover a educação em gestão de riscos, integrando o seguro rural a instrumentos de comercialização e proteção financeira". No ano passado, a área coberta por seguro rural com subvenção no país foi a menor em uma década.

Flávio Bolsonaro "Vamos ampliar o seguro rural, dando previsibilidade a quem planta: safra protegida é oferta garantida, e oferta garantida é preço estável".

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