Fatia dos deepfakes em fraudes sobe de 0,1% para 6,5% e inflama desconfiança
A rápida popularização das ferramentas de inteligência artificial (IA) já transformou o perfil das fraudes financeiras no Brasil, impondo um desafio a bancos, autoridades, empresas de tecnologia e usuários: duvidar daquilo que se vê.
O uso de deepfakes, que representava apenas 0,1% das fraudes detectadas em março do ano passado, já alcança 6,5% dos casos em 2026, enquanto a IA aparece em 42,5% das ocorrências de fraude financeira no país.
Os dados foram apresentados durante o painel “Nada é o que parece: o colapso das certezas digitais na era dos deepfakes e da fraude sintética”, realizado nesta segunda-feira (24) na Febraban Tech 2026.
Segundo Flávio Silveira da Silva, Chefe da Divisão de Tecnologia e Inovação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF, as autoridades já observam o uso de IA em praticamente toda a cadeia criminosa, desde campanhas de phishing até tentativas de invasão de infraestruturas de instituições financeiras.
Dentro dessa realidade, a principal preocupação citada pelos painelistas foi a incapacidade humana de distinguir conteúdos reais de falsificações digitais está cada vez mais limitada.
“Durante muitos anos ensinamos as pessoas a acreditarem no que viam.
Agora precisamos criar uma cultura permanente de segurança digital, explicando como agir e quando procurar a instituição”, disse Elisa Sotero, da Caixa Econômica Federal.
E se antes a criação de um deepfake exigia conhecimento técnico avançado e horas de trabalho, agora a tecnologia está amplamente acessível.
“Hoje é possível construir um deepfake com R$ 50 usando ferramentas públicas e legítimas.
A olho nu, ninguém percebe a diferença”, afirmou Guilherme Martinatti Favaro, executivo do Santander Brasil ( SANB11 ).
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André Parente Houang, Coordenador-Geral da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, afirmou que a disseminação de conteúdos sintéticos reforça o chamado “efeito bolha” e amplia a desconfiança da população em relação a informações, instituições e políticas públicas.
“Existe uma desconexão crescente das pessoas com o real e uma desconfiança intrínseca em relação às informações que recebem”, afirmou.
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