Seca histórica no rio Reno ameaça economia da Alemanha
País depende parcialmente do transporte fluvial de mercadorias. Baixos níveis de água, com risco de divisão do rio em duas partes, poderão reverter um já tímido crescimento do PIB.Os níveis de água do rio Reno, uma artéria crucial para o transporte de mercadorias essenciais à indústria da Alemanha, permanecem criticamente baixos após semanas de seca. As baixas têm se repetido em canais fluviais importantes da Europa num verão excepcionalmente quente, fenômeno que especialistas associam às mudanças climáticas.
Num dos trechos mais rasos do Reno, na cidade de Kaub, o nível da água chegou a cerca de 16 centímetros ao meio-dia de segunda-feira (10/08), segundo a Administração Federal de Hidrovias e Navegação (WSV, na sigla em alemão). Embora o canal navegável seja aproximadamente um metro mais profundo, 40 centímetros são considerados o limite mínimo para embarcações comerciais convencionais.
Os operadores de navegação utilizam as medições registradas em Kaub para determinar se a travessia é viável e quanto de carga suas embarcações podem transportar com segurança. Nas últimas semanas, as transportadoras reduziram significativamente as cargas transportadas pelo Reno, em muitos casos para apenas um quinto da capacidade normal, segundo a imprensa local.
O problema não se restringe ao Médio Reno, trecho de 130 quilômetros entre as cidades de Mainz e Bonn que constitui a parte mais estreita e rasa do rio. Áreas próximas a Colônia, Düsseldorf, Duisburgo-Ruhrort e Emmerich também registram níveis historicamente baixos.
Jens Schwanen, presidente da Associação Federal da Navegação Interior Alemã (BDB), afirmou ao jornal Rheinische Post na segunda-feira que o Reno poderia se tornar intransitável em Kaub antes do fim da semana. Isso, na prática, dividiria o rio em duas partes para o tráfego comercial.
A seca ocorre num momento particularmente difícil para a economia alemã, que já enfrenta baixo crescimento, altos custos de energia e perda de competitividade industrial. A Alemanha ainda depende de rios e hidrovias para transportar cerca de 5% das mercadorias, principalmente matérias-primas a granel, como minério de ferro, carvão, areia e derivados de petróleo.
De 3,28 bilhões de toneladas de mercadorias transportadas em 2024 no país, 173 milhões de toneladas foram movimentadas por vias navegáveis interiores, segundo a BDB.
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