Justiça Eleitoral nega transporte para indígenas votarem no 2° turno no Amazonas
A Justiça Eleitoral do Amazonas negou o pedido da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) para que fosse fornecido transporte fluvial gratuito, água e alimentação a indígenas de 44 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do Brasil, no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A decisão foi publicada nesta terça-feira (20) pela juíza Dálethe Borges Messias, titular da 42ª Zona Eleitoral, em Atalaia do Norte, e se apoia em três argumentos: encerramento dos prazos legais de planejamento, ausência de dotação orçamentária específica e inviabilidade logística da operação.
A Univaja afirma que avalia recorrer e alerta que a abstenção no primeiro turno na região já havia atingido entre 30% e 35% .
A organização também afirma que a Justiça Eleitoral não a procurou durante o primeiro turno das eleições e, diante da proximidade do segundo turno e dos índices de abstenção, foi solicitado apoio para que a comunidade conseguisse chegar aos seus locais de votação.
Justificativas e resposta da Univaja Na decisão, a juíza afirmou que as etapas de requisição de embarcações e organização de percursos deveriam ter sido concluídas entre 4 de setembro e 10 de outubro, antes mesmo doo pedido ser recebido pelo juízo.
O segundo impedimento é a ausência de dotação orçamentária específica.
O terceiro é a inviabilidade logística: os percursos fluviais envolvidos variam de 3 21 km a 895 km , com agravantes como a vazante dos rios, bancos de areia e restrições à navegação noturna, podendo exigir de três a cinco dias ou mais de deslocamento.
A Univaja recebeu a decisão com preocupação e não descartou recorrer.
Eliésio Marubo, advogado indígena e procurador jurídico da entidade, afirmou que “a decisão cassa direitos fundamentais dos povos indígenas do Vale do Javari de exercer um direito a voto, de escolher o seu representante num ambiente tão polarizado como tem sido o ambiente político no Brasil”.
Em nota, a organização também declarou “que garantir o exercício do voto é responsabilidade do poder público”.
“As organizações indígenas podem colaborar, mas não devem assumir sozinhas os custos e a estrutura necessários para assegurar esse direito fundamental”, afirma.
Votação indígena no Vale do Javari A Terra Indígena Vale do Javari é a segunda maior do Brasil, com 8,5 milhões de hectares , abrigando 74 aldeias, sete povos e mais de 6 mil indígenas.
A região também concentra a maior quantidade de povos isolados do mundo e faz fronteira com Peru e Colômbia.
Por sua riqueza natural e posição estratégica, é alvo constante de narcotráfico, garimpo ilegal, biopirataria e extração ilícita de madeira, o que torna qualquer disputa política na área particularmente sensível.
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