Corrupção está no centro da apuração de assassinato sob investigação no STF
Um mega esquema de corrupção via emendas parlamentares e fraudes em licitação está no centro da investigação do assassinato de um empresário maranhense que tramita no gabinete do ministro Flávio Dino, do Supremo. Os demais braços da investigação também correm no STF e envolvem ao menos dois parlamentares com foro: um deputado federal e um senador. O volume de recursos envolvidos ultrapassa, em um só dos casos, R$ 10 milhões.
O homicídio ganhou especial relevância depois que foi revelado que um dos supostos envolvidos no crime, Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado, foi, segundo a Polícia Federal, autor da violação dos protocolos de segurança para monitoramento ilegal de Dino e sua família no Maranhão.
Documentos obtidos pela coluna permitiram uma análise mais ampla do emaranhado no qual o caso está inserido.
A PF apresentou ao Supremo elementos que indicam haver um grupo composto por empresários e políticos do Estado dedicado a práticas ilegais há anos—e o assassinato de 2022 seria uma consequência desse esquema.
A Polícia Federal aponta em relatório sobre o caso que o homicídio seria fruto de uma discordância sobre a distribuição de propinas obtidas via contratos públicos fechados sob suspeita de fraude. O grupo político investigado, ligado ao atual governador do Estado, Carlos Brandão (MDB), teria inclusive negociado indicações ao Tribunal de Contas maranhense para blindar seus integrantes de investigação.
Um sobrinho do governador, de nome Daniel Brandão, hoje integrante do Tribunal de Contas do Estado, foi inclusive filmado na cena onde o crime ocorreu, cumprimentando o autor confesso do assassinato e seu alvo.
A PF apura ainda uma sucessão de atos que teriam como objetivo obstruir a elucidação completa do crime. Raimundo Cutrim, o homem que rastreou Flávio Dino e repassou os dados do aparato de segurança do ministro e sua família para um comunicador maranhense entra na história, com destaque, neste ponto.
Ele foi gravado orientando familiares do autor do crime, Gilbson Cutrim, seu parente distante, a afastar o governador e seus familiares, especialmente Daniel, da apuração. O jornalista Ranier Bragon, do SBTNews, revelou um dos trechos do áudio no mês passado.
Como a coluna informou anteontem, o caso tramitava no Superior Tribunal de Justiça, mas foi enviado ao Supremo depois que a família de Gilbson se insurgiu contra o andamento do caso na corte. Dino foi sorteado relator da ação.
O assassinato do empresário maranhense está inserido, portanto, em contexto maior, que envolve a tramitação de ao menos seis outras investigações, relacionadas a obstrução de Justiça, corrupção, peculato e fraude em licitação, numa sequência de ilícitos praticados ao menos desde 2019.
Um dos supostos integrantes do grupo político sob investigação é o deputado Josimar Maranhãozinho (PL), já condenado por desvio de emendas do orçamento secreto pela Primeira Turma do STF.
Um senador também aparece conectado ao esquema, em especial no que diz respeito às suspeitas de obstrução de Justiça.
Aliados do governador Carlos Brandão dizem que, como Dino foi governador do Estado à época de parte dos fatos, deveria deixar a relatoria do caso.
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