A cidade que fabrica mísseis para Trump: 'se você não for conservador, não venha para cá'
Como disse um morador local, há uma "igreja em cada rua" da comunidade apalache de Kingsport, no Estado americano do Tennessee.
O cristianismo reina absoluto nesta área operária. Acima do histórico teatro Lamplight, no centro da cidade, uma placa proclama: "Jesus em primeiro lugar em todas as coisas".
E embora mais de 300 igrejas da região abasteçam a população com energia espiritual nesta cidade de 58 mil habitantes, existe outra instituição que fornece sustentação econômica.
A fábrica Holston de munições do Exército produz explosivos usados em mísseis Patriot, ogivas e outros armamentos pesados em meio à custosa e prolongada guerra do país com o Irã.
A guerra e seus efeitos colaterais — com inflação de gasolina e alimentos — levaram a uma queda acentuada nos índices de aprovação do presidente Donald Trump nos EUA. Pesquisas recentes apontam sua aprovação em um mínimo histórico de 32% — uma queda de 14% em relação a quando ele assumiu o cargo em janeiro de 2025 —, com muitos entrevistados republicanos citando desilusão com as políticas do presidente.
Os dois grandes fatores que prejudicam a popularidade do presidente são o custo de vida e a guerra com o Irã, com um afetando o outro. O conflito fez com que os preços da gasolina nos EUA disparassem para mais de US$ 4 por galão (R$ 5,48 por litro), um aumento doloroso para qualquer empresa americana que dependa de transporte.
Mas em Kingsport, o apoio ao presidente beira o fervor religioso. A cidade votou esmagadoramente em Trump em todas as três últimas eleições. O mesmo aconteceu em todo o Tennessee, um Estado republicano há mais de 25 anos.
No que diz respeito ao conflito com o Irã, a maioria dos residentes apoia abertamente a ação militar ou justifica a necessidade da guerra, apesar da promessa de campanha repetida de Trump de pôr um fim às guerras.
"Se ele puder impedir que alguém tenha uma bomba nuclear, então sou a favor", diz Pam Robinson, de 65 anos, que trabalhou durante 20 anos em uma fábrica de produtos químicos local.
David Carter, um veterano barbudo que interpreta o Papai Noel na época do Natal, diz: "O motivo de irmos até lá e mantermos tudo sob controle é para que o problema não chegue à nossa porta."
"Sinceramente, acho que deveríamos transformar esses lugares em estacionamento e não nos preocuparmos mais com isso", diz o veterano James Camper, de 63 anos.
Os veteranos representam cerca de 10% da população da região, e muitas outras famílias têm membros em serviço ativo nas Forças Armadas.
Robinson — uma cristã fervorosa e não identificada com democratas ou republicanos que afirma que sua fé influencia suas escolhas de candidatos — acredita que a natureza remota da guerra impede que as pessoas da região fiquem mais descontentes com Trump.
"Vou te dizer uma coisa: se fosse um combate corpo a corpo e mais pessoas estivessem morrendo, as pessoas estariam se revoltando", diz ela.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.