Ibovespa engata 4ª queda com fuga de estrangeiros e abre pechinchas em ações de qualidade
Em um desmonte acelerado de posições, o Ibovespa engatou a quarta queda seguida e passou a flertar com a região dos 169 mil pontos.
Com um tombo acumulado de mais de 17% desde a sexta-feira pré-segundo turno, quando fechou na casa dos 205 mil pontos, a bolsa brasileira passa por um ajuste doloroso diante das incertezas sobre os rumos fiscais do governo Lula 4.
Durante a tarde, contudo, o mercado conseguiu amenizar o ritmo de perdas.
O alívio veio após a notícia da rádio CBN de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja viajar ao Piauí na próxima semana para convidar o governador reeleito Rafael Fonteles para assumir o Ministério da Fazenda.
Visto pelo mercado como um nome técnico e comprometido com a responsabilidade fiscal, o aceno a Fonteles serviu como um primeiro sopro de previsibilidade em meio às dúvidas sobre as contas públicas.
Para especialistas, porém, o ajuste acumulado reflete uma debandada estrutural de investidores institucionais e internacionais que ainda aguardam confirmações concretas.
Essa pressão vendedora vem sendo puxada sobretudo pela retirada de recursos estrangeiros, até então o principal suporte para as ações brasileiras.
O EWZ, maior ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, registrou um resgate recorde de US$ 632 milhões no pós-eleição, segundo Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos.
Para Christopher Galvão, sócio e analista de fundos da Nord Investimentos, o movimento expõe a natureza do capital estrangeiro no Brasil.
"De um lado, alocadores táticos que buscavam capturar um movimento de curto prazo com a possibilidade de troca de governo reduziram posição quando ela não se concretizou", explica Galvão.
“De outro, para a alocação estrutural de longo prazo, persiste a indefinição sobre a condução da política econômica e fiscal do governo Lula 4, o que trava fluxos mais duradouros, tanto estrangeiros quanto domésticos", acrescenta.
Galvão pondera que o gringo olha para o Brasil principalmente como uma tese de descorrelação e diversificação em relação aos mercados desenvolvidos.
"Pelo tamanho reduzido da nossa bolsa e o capital massivo do estrangeiro, qualquer ajuste faz um preço enorme por aqui, como vimos em janeiro e fevereiro.
Mas, sem clareza fiscal, o estrangeiro simplesmente se retira", avalia.
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