Premiê diz que Canadá se preparou até para “risco extremo” de ação militar dos EUA
NOVA YORK — O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que se preparou ao longo do último ano para o “risco extremo” de que o presidente Donald Trump pudesse ordenar uma ação militar contra o Canadá.
Apesar disso, revelou que os dois mantêm conversas frequentes, inclusive após o colapso das negociações comerciais no mês passado, em uma relação que classificou como tensa e em evolução.
Em entrevista ao The New York Times , em Manhattan, na quarta-feira, Carney detalhou como vem reduzindo sistematicamente a dependência canadense dos Estados Unidos em áreas estratégicas de tecnologia, que vão de satélites a caças militares.
Segundo ele, o plano é tornar o país menos vulnerável a pressões de Washington.
O premiê afirmou que busca diversificar parceiros e fornecedores e declarou que, mesmo sob um futuro presidente americano diferente, o Canadá será “um parceiro melhor para os EUA por causa do que estamos fazendo agora”.
Carney citou esforços para reduzir a dependência da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, de Elon Musk, além de avaliar alternativas à compra dos caças F-35.
Também destacou o interesse em aprofundar relações econômicas, embora não militares, com a China.
Questionado sobre as ameaças de Trump de transformar o Canadá no 51º estado americano, Carney indicou ter analisado seriamente a possibilidade de uma invasão liderada pelos EUA, mas evitou dar detalhes.
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“Isso é simplesmente gestão de risco.
Não é o cenário-base, mas seria irresponsável não se preparar.” Ao longo do último ano, Carney despontou como um dos líderes globais mais dispostos a confrontar Trump.
Paralelamente, passou a desenhar uma estratégia para reduzir a dependência de um vizinho que passou a considerar predatório.
Ainda assim, o premiê afirmou que fala com Trump “frequentemente” e que os dois se comunicaram “várias vezes” desde o rompimento das negociações comerciais em agosto.
“Da minha perspectiva, temos um bom relacionamento, no sentido de que podemos pegar o telefone e conversar sobre os assuntos”, disse.
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