Reajuste do Bolsa Família deflagra embate eleitoral entre lulistas e bolsonaristas
O reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado a 17 dias da realização do primeiro turno das eleições, deflagrou um embate entre lulistas e bolsonaristas, aumentando a fervura da disputa para a conquista da cadeira mais cobiçada do Palácio do Planalto. Nomes da direita, incluindo aliados do senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, passaram a usar a medida como munição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, com acusações de "desespero", uso eleitoral e tentativa de "comprar voto". Já os aliados do petista, comemoraram a decisão e reagiram às críticas reforçando o contraste com os adversários em torno das políticas sociais.
Do outro lado, aliados de Lula passaram a usar as críticas ao reajuste para reforçar a defesa do programa e marcar diferenças com a oposição, reforçando o contraste em torno das políticas sociais.
Jandira Feghali (PCdoB-RJ), candidata à reeleição para deputada federal, disse que o reajuste reforça um "instrumento de cidadania e um compromisso com os mais vulneráveis". "Enquanto uns apresentam projetos para acabar com os programas sociais, Lula anuncia o reforço ao Bolsa Família", afirmou. André Janones (Rede-MG), candidato à Câmara, publicou vídeo comemorando o novo valor e procurando afastar a interpretação de que o reajuste seria temporário por causa da eleição. "Pode comemorar, pode festejar", disse.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também contrapôs o governo aos adversários. "Esse Bolsa Família que eles querem cortar, esse Bolsa Família ajuda as famílias mais necessitadas", afirmou. Já o governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), disse que a medida representa "mais comida na mesa, mais dignidade e mais segurança para milhões de famílias".
Entre os candidatos à Presidência, Renan Santos foi o mais explícito ao anunciar uma reação judicial. "Estou entrando agora na Justiça Eleitoral para derrubar essa medida populista e criminosa do Lula", afirmou. O candidato do Missão acusou Lula de anunciar a medida com a intenção de "comprar voto para se reeleger".
Romeu Zema (Novo) classificou o reajuste como uma "medida eleitoreira" e afirmou que a decisão demonstra "o desespero do Lula". O governador mineiro acusou ainda o presidente de irresponsabilidade fiscal, embora tenha dito considerar o Bolsa Família uma política pública importante e defendido mecanismos para a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.
O senador Jorge Seif (PL) afirmou que a decisão segue um "calendário eleitoral". "Às vésperas do primeiro turno, Lula anuncia aumento do Bolsa Família. Não é política social. É calendário eleitoral", escreveu. Segundo ele, o governo estaria usando "dinheiro público para comprar voto".
Renato Bolsonaro (PL-SP), candidato a deputado federal e irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, também questionou o momento da decisão. "Nada contra os mais necessitados, mas o cara usar isso na época da eleição para buscar voto é brincadeira", afirmou.
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