Ex-comunista pode viabilizar 1º governo estadual de ultradireita da Alemanha no pós-guerra
Ex-comunista pode viabilizar 1º governo estadual de ultradireita da Alemanha no pós-guerra - Sigla nanica de esquerda populista fundada por política "antiwoke" pode ajudar a AfD a assumir o poder na Saxônia-Anhalt. Seria a 1° vez que um partido de ultradireita governaria um estado da Alemanha no pós-guerra.Um partido nanico populista de esquerda pode ajudar a sigla de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) a conquistar um feito inédito na história do país desde a derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial: trazer uma sigla de ultradireita de volta ao comando de um governo.
Mais precisamente, de um governo estadual: o da Saxônia-Anhalt, no Leste alemão, onde a AfD tem aparecido nas pesquisas recentes muito à frente de todos os demais concorrentes, com entre 41% e 43% das intenções de voto. O diretório estadual da sigla ali é classificado pelas autoridades como comprovadamente extremista.
"Nosso objetivo eleitoral é tirar do cargo o atual governador", declarou Wagenknecht na quarta-feira passada (12/08) ao tabloide Bild. "E substituí-lo por um governador suprapartidário, que governe com um gabinete técnico e maiorias variáveis [...], também com a AfD."
Do contrário, Wagenknecht afirma que o BSW se absteria da eleição para governador — que, na Alemanha parlamentarista, é decidida pelos deputados. A manobra permitiria à AfD emplacar seu governador por maioria simples dos votos, mesmo sem apoio de outros partidos.
Nascida na Alemanha Oriental e antiga filiada do partido comunista que liderou o regime, Wagenknecht, de 57 anos, é conhecida por mesclar bandeiras econômicas típicas da esquerda com posições mais conservadoras em temas sociais, como oposição à imigração irregular e ao "identitarismo" ou "wokismo" — que, na sua visão, enfraquece a coesão social e o senso de comunidade. Além disso, é crítica à guerra de Israel na Faixa de Gaza e abertamente simpática à Rússia de Vladimir Putin, apesar da invasão à Ucrânia.
Por anos, a ex-deputada e outrora comunista convicta foi uma das políticas mais proeminentes do partido A Esquerda, que ela abandonou em 2023 para fundar sua própria sigla após sucessivos conflitos com seus antigos correligionários por causa de suas posições heterodoxas.
A AfD pretende, após a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, governar sozinha e nomear o governador. Isso depende, entre outros fatores, de quantos partidos conseguirão entrar no Parlamento e de como eles votarão na eleição para governador.
Atualmente, o governo da Saxônia-Anhalt é comandado pelo conservador Sven Schulze, da União Democrata Cristã (CDU), mesmo partido que hoje lidera a coalizão no governo federal do chanceler federalFriedrich Merz.
No estado, a CDU tem pontuado nas pesquisas com entre 22% e 24% das intenções de voto. Já potenciais parceiros de governo dos conservadores — a depender do cenário, social-democratas e ambientalistas — somam entre 6% e 12%.
A situação é especialmente incômoda para os conservadores porque a CDU também rejeita categoricamente qualquer aliança com A Esquerda, que aparece com entre 13% e 14% da preferência do eleitorado.
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