'O Fim da Rua', de David Robert Mitchell, constr�i terror sem sustos f�ceis
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Há várias maneiras de entrar em "O Fim da Rua". Pode-se começar pelo final, por exemplo, quando David Robert Mitchell, autor deste filme, homenageia seu pai. Mas também pode ser pelo início mesmo, quando outro pai de família, Greg Platt, vivido por Ewan McGregor , é chamado às falas pela mulher, Denise, encarnada por Anne Hathaway , durante a festa comunitária que acontece na rua Oak, em 1982. Denise reclama da falta de atenção de Greg à família no exato instante em que ele se prepara para deixar a festa a fim de, garante, fazer umas entregas de pizza.
Soa inconvincente. Denise está indignada —ela pode bem pensar que Greg mente e vai fazer outra coisa que não trabalhar. Seus dois filhos, Audrey e Brian, percebem a tensão, perguntam-se quando o casal vai se separar. Não parece uma hipótese despropositada, até porque Denise está escrevendo um romance fartamente autobiográfico em que fala de seu desejo de largar a cidadezinha —não sabemos qual é, nem onde fica— e a família.
Em suma, há algo errado nessa relação, que, além do mais, será abalada pelos eventos fantásticos que levarão a rua Oak e cercanias a virar uma espécie de parque dos dinossauros —embora não criado pela mania de grandeza dos homens, como no filme de Spielberg .
Passado o primeiro espanto, o bairro e a família se veem no mundo dos dinossauros , ou seja, eles se veem jogados num mundo que precede a própria existência humana, ainda que a rua Oak mantenha suas casas, carros e rádios modernos. Com isso, a família se descobre num lugar dominado por horríveis predadores e, pior, cercado de muros enormes, de onde não têm como fugir.
O perigo os unirá. Eis o primeiro postulado do filme. A família vem em primeiro lugar neste mundo. Neste mundo primitivo e neoliberal, em que não temos senão a família como socorro. É preciso que ela esteja unida se quiser ter uma mínima chance de sobreviver. É plano como ideia, admita-se.
Mas há outros aspectos que são chamados à conversa. O primeiro deles é que Audrey, a filha, é uma leitora voraz. Admira o astrônomo Carl Sagan e sonha em ir à Universidade Cornell, onde ele lecionava. Audrey também é ateia, não acredita em Deus .
A família, aliás, não é fanática religiosa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ilustrada.