Empresas da Espanha mais expostas ao Brasil perderam € 7 bi na Bolsa na 2ª feira
As companhias espanholas com maior exposição ao Brasil perderam cerca de 7 bilhões de euros em valor de mercado na Bolsa de Madri na segunda-feira (26), dia em que o mercado de ações brasileiro também teve fortes perdas motivadas pela reação à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno da eleição presidencial.
O jornal espanhol Expansión destacou as perdas de empresas como Telefónica (-6,41%), Santander (-3,09%), Mapfre (-1,82%), ArcelorMittal (-0,83%) e Repsol (-0,03%), que fazem parte do índice IBEX da bolsa local — que a despeito desses desempenhos negativos fechou em alta de 0,21%.
Leia mais: Mau humor do mercado brasileiro castiga ações na Espanha com exposição ao Brasil Leia mais: Bolsas da Europa fecham em alta com petróleo; ações expostas a Brasil caem Analistas citados pelo diário espanhol destacam que o mercado local havia antecipado uma guinada para políticas mais favoráveis ao investimento privado e uma maior contenção dos gastos após a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições, mas que a derrota do candidato do PL vai obrigar agora a uma recalibração de expectativas sobre déficit, dívida e taxas de juros.
O jornal detalhou a exposição ao Brasil das principais companhias afetadas.
Para a Telefónica , a filial brasileira, que usa a marca Vivo, contribuiu com 31% da receita e 37% do Ebitda para o resultado do grupo no 2º trimestre do ano.
Isso é bem próximo do resultado da operação na própria Espanha: 40% da receita e do Ebitda.
Para os especialistas, um Real mais fraco reduz o valor em euros dos lucros gerados no Brasil, mesmo que os negócios mantenham o resultado em moeda local.
No Santander , o negócio é sensível a uma deterioração do crédito e da capacidade de pagamento de seus clientes.
O jornal destaca que 15% do lucro global do banco vem do Brasi.
Em 5 de outubro, quando se acreditava numa vitória de Flávio Bolsonaro, o banco registrou alta de 4,52% na Bolsa de Madri.
Na seguradora Mapfre , 24,8% do lucro vem do Brasil.
A empresa combina a exposição cambial com negócios de seguros vinculados ao crédito, que podem sofrer se o financiamento permanecer caro.
A gigante siderúrgica ArcelorMittal gera no Brasil uma receita de cerca de 11.052 milhões de euros, equivalente a quase 18% do faturamento total da multinacional.
A companhia se manteve no ano passado como líder do mercado nacional, representando 42% da produção de aço bruto do país.
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