Avisa seu candidato: mais prisões não significam mais segurança
Por Mariana Rosetti, da Ponte Jornalismo* “Chegou a morte”, era a frase que Maurício Monteiro ouvia policiais militares gritarem, em meio a estampidos de disparos de arma de fogo, no corredor do terceiro andar do pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte de São Paulo.
Monteiro acompanhava a movimentação da cela que dividia com outros companheiros.
Escondia-se no banheiro, um metro cúbico delimitado por um vaso sanitário e um lençol branco, que simulava uma parede.
Até que, em poucos segundos, um policial rompeu o tecido, apontou uma arma para a sua cabeça e a engatilhou.
O disparo, que o mataria, não veio.
Interrompido por um superior, o PM desarmou a própria arma e saiu da cela.
Horas depois, Maurício seria submetido a um corredor polonês — uma punição física em que uma pessoa passa correndo ou andando entre duas fileiras de pessoas que a agridem — e empilharia corpos de companheiros executados pelo braço-armado do Estado.
Em 2 de outubro de 1992, tornou-se um sobrevivente do Massacre do Carandiru .
Naquele dia mais cedo, uma briga entre presos escalou para uma confusão generalizada.
Algo rotineiro em um espaço projetado para 3.350 pessoas, mas que abrigava mais de 6.000.
Foi quando o comandante da Polícia Militar, Ubiratan Guimarães, entrou no pavilhão 9 com mais de 300 agentes da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) , do COE (Comando de Operações) e do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) .
E a matança começou.
Cerca de 70% dos disparos atingiram as regiões da cabeça e do tórax das vítimas — o que, somado ao fato de que nenhum policial se feriu, reforça a tese de que não houve confronto.
O 9º pavilhão, onde ocorreu o massacre, abrigava réus primários e presos provisórios: mais de 80% dos 111 mortos naquele dia aguardavam julgamento.
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