Levar os filhos ao trabalho é inclusão — ou mais uma responsabilidade para as mulheres?
Uma imagem chamou a atenção recentemente: a ministra do Clima e do Meio Ambiente da Suécia, Romina Pourmokhtari, de 30 anos, participou de uma reunião do Conselho da União Europeia levando o filho de três meses em um canguru.
Recém-retornada da licença parental, ela apareceu trabalhando com o bebê junto ao corpo.
A cena pode ser vista como um símbolo de uma sociedade em que maternidade e carreira não precisam ser excludentes.
E, de fato, poder levar um filho ao trabalho quando essa é uma escolha da mãe pode representar uma mudança importante na cultura corporativa.
Mas existe uma outra pergunta por trás dessa imagem: e quando levar o filho ao trabalho não é uma escolha, mas a única alternativa disponível? É aí que uma discussão aparentemente sobre flexibilidade e inclusão revela problemas maiores: falta de creches, ausência de rede de apoio e uma divisão ainda desigual das responsabilidades de cuidado.
Para muitas mulheres, a possibilidade de conciliar trabalho e maternidade pode acabar significando, na prática, acumular trabalho e cuidado ao mesmo tempo.
O debate também passa pela participação dos homens nessa equação.
Afinal, uma sociedade que oferece mais flexibilidade para que mães cuidem dos filhos, mas mantém uma licença-paternidade muito menor, corre o risco de continuar tratando o cuidado como uma responsabilidade predominantemente feminina.
Neste novo episódio da coluna no Valor Investe, a jornalista Naiara Bertão explica o que existe por trás da ideia aparentemente simples de “levar o filho para o trabalho” e o risco de esta flexibilidade se traduzir em mais responsabilidades e não liberdade de escolha.
Levar o filho para o trabalho: avanço ou sinal de que ainda falta estrutura para cuidar?
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.