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O que é ser homem hoje?

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O que é ser homem hoje?

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A Pesquisa Juventude e Masculinidade de 2024, feita com apoio do Pacto Global da ONU , revelou que 68% dos jovens entre 18 e 30 anos não têm um modelo claro do que é ser homem hoje. A confusão faz sentido.

O velho roteiro não apenas caducou como perdeu a relevância. A masculinidade sempre foi resumida à figura do provedor e protetor, forte e infalível. O custo foi alto. Em muitos casos, essa figura se entendia não só como chefe da casa, mas dono do dinheiro, das decisões e da própria mulher , mantendo o controle na base da imposição e da violência.

O colapso desse arquétipo gerou uma fatura de adoecimento mental, isolamento, crises de identidade e revolta. Desorientados e alimentando a paranoia de que são odiados pelas mulheres, muitos caem na armadilha de buscar abrigo em grupos que pregam o o ódio ao feminino , e prometem a restauração de um passado que desmoronou.

O que as mulheres rejeitam não é a masculinidade em si, mas a opressão, o autoritarismo, a incapacidade de diálogo, a fuga da paternidade real e a recusa em ser um adulto funcional que divide a rotina de igual para igual. Enquanto conquistamos, aos trancos e barrancos, o direito de sermos o que quisermos, os homens continuaram reféns de um manual arcaico e perigoso.

É sobre esse nó que o psiquiatra e comunicador Jairo Bouer se debruça no livro "Homem Fora da Caixa". Conhecido por conversar com gerações sobre comportamento desde a MTV, ele parte de pesquisas, da experiência em consultório e de relatos que recebe nas redes para entender essas angústias e ajudar os homens a ampliar o repertório de possibilidades, entender o século 21 e a salvar a si mesmos de uma engrenagem que também os adoece.

Ninguém diz que o homem não possa escolher o papel de provedor ou de protetor, mas até esse arranjo exige um recall. Proteger não é oprimir e bancar a casa não confere título de posse a ninguém. Ao desmontar a armadura, o que se ganha é o direito de ser falível, de expressar sentimentos e de fazer as pazes com a própria vulnerabilidade.

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