Turismo de parto e sauna da Sibéria: como Florianópolis se tornou a capital da Rússia no Brasil
Eugenio era topógrafo na Rússia , migrou para Florianópolis em 2020 e começou a vender sobremesas típicas pela Internet.
Deu tão certo que ele abriu seu próprio café em Jurerê.
No mesmo bairro nobre mora Anastasia, que trabalhava para uma marca alemã na Rússia e abriu um estúdio de bem-estar há quase um ano.
No espaço, instrutoras russas e brasileiras dão aulas de yoga, pilates e dança.
Outro Eugênio virou marido de aluguel: faz bicos de elétrica, hidráulica, limpeza de estofados e transporte particular na capital catarinense.
Sua renda já é superior ao que ele recebia com trabalhos administrativos em São Petersburgo.
Já Natalia e Stanislav administram uma sauna russa.
Na Sibéria, de onde vieram, ele era programador e ela era diretora de uma empresa atacadista.
Todos eles são cidadãos russos que fugiram da guerra, escolheram Florianópolis para morar e se reinventaram, cada um à sua maneira, dentro de uma comunidade do país que não para de crescer.
Dados do Sistema de Registro Nacional Migratório mostram que, desde a eclosão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, Santa Catarina virou o principal refúgio de cidadãos russos no Brasil.
Desde então, o estado recebeu 1.317 pedidos de residência, superando os 881 de São Paulo.
Isso significa que quase 1 em cada 3 russos que chegaram ao Brasil escolheu o território catarinense para morar — e Florianópolis concentra quase 90% dessa legião no estado (1.176 pessoas, segundo dados oficiais).
Esse fenômeno fez o “ turismo de parto ” disparar na capital catarinense.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 492 crianças de mães russas nasceram em Santa Catarina de 2020 até julho de 2026.
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