Brasil anuncia plano de R$ 1,2 trilhão que pode mudar a logística do país até 2050
O governo federal apresentou, nesta quarta-feira (12), o novo Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), que deve orientar as expansões na infraestrutura brasileira de transportes.
O documento prevê investimentos da ordem de R$ 1,2 trilhão nas próximas décadas, incluindo todas as modalidades de transporte.
Desse valor, até R$ 734,4 bilhões virão da iniciativa privada, enquanto R$ 490,5 bilhões serão de financiamento público.
O objetivo é, além de ampliar os modais existentes, construir interconexões que tornem o transporte de cargas e de passageiros mais eficiente entre as regiões do país.
Hoje, a matriz de transporte nacional ainda tem predominância do modal rodoviário, responsável por 54% da movimentação de cargas.
As ferrovias respondem por 27%, enquanto o transporte aquaviário equivale a 19%, e menos de 1% fica com o transporte aéreo.
A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) calcula que o país ainda apresenta um grande déficit de investimentos em infraestrutura.
Segundo informações de 2025, o déficit soma mais de R$ 200 bilhões em investimentos, e cerca de 1,74% do PIB.
A nova estratégia do governo depende de concessões, autorizações, parcerias público-privadas, financiamento de longo prazo e capacidade de atração de capital privado.
O plano está organizado em 31 eixos de transporte considerados estratégicos e 112 objetivos prioritários de atuação.
Segundo o Ministério dos Transportes, as 27 unidades da Federação participaram da construção da matriz de transportes do plano.
O papel central é das ferrovias, que oferecem as maiores vantagens no transporte de grandes volumes de carga a longas distâncias.
Depois vêm as hidrovias e portos, com potencial especialmente relevante na região amazônica.
Atualmente, entre as obras já em curso estão projetos ferroviários de grande porte, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que pretende conectar áreas produtoras da Bahia ao Porto Sul, em Ilhéus, e posteriormente integrar esse corredor à Ferrovia Norte-Sul; a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), cuja primeira etapa liga Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT) e deverá conectar a produção agrícola do Centro-Oeste à Norte-Sul; e a Ferrovia Transnordestina, que conecta o interior do Nordeste aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE).
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