Como uma empresa que imitou a marca Jordan driblou a Nike na China
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Acima da entrada da ampla sede corporativa da Qiaodan, na cidade chinesa de Xiamen, um logotipo vermelho exibe a silhueta de um atleta que parece familiar.
As pernas inclinadas transmitem o movimento de quem dribla, enquanto a mão esquerda estendida segura o que parece ser uma bola de basquete .
O nome da empresa por trás do logotipo —Qiaodan— é uma tradução fonética literal para o chinês de uma das marcas mais ilustres do esporte: a linha Jordan, da Nike.
A Qiaodan passou boa parte de seus 26 anos de existência envolvida em uma disputa judicial com Michael Jordan , a lenda do basquete que aparentemente inspirou a identidade da empresa. No entanto, em 2020, concluiu-se que a Qiaodan havia infringido apenas um aspecto dos direitos anteriores de Jordan sobre o nome.
A empresa de artigos esportivos —que se expandiu para tênis de corrida e roupas de ioga— é hoje uma varejista nacional estabelecida, com cerca de 6.000 lojas em todo o país, a maioria delas operada por franquias.
Em uma loja da Qiaodan em Yueyang, cidade de menor porte, um tênis de cano alto no estilo Air Jordan custa 339 renminbis (R$ 260).
Em 2020, a Qiaodan adquiriu por US$ 62,5 milhões (R$ 325,7 mi) os direitos para a China da tradicional marca de futebol Umbro, anteriormente pertencente à Nike. Desde então, começou a explorar uma expansão internacional, inclusive com a abertura de uma loja no Vietnã.
Há muito uma pedra no sapato da Nike, a Qiaodan faz parte de um grupo de marcas cada vez mais sofisticadas, sediadas em Xiamen, que vêm aumentando a pressão sobre a Nike em seu mais importante mercado internacional.
Entre as outras concorrentes emergentes está a Anta Sports, empresa maior que faturou mais de US$ 11 bilhões (R$ 57,3 bi) no ano passado e concordou, em janeiro, em comprar uma participação de 29% na Puma. Há também a 361 Degrees, listada na bolsa de Hong Kong, e a XTEP, especializada em tênis de corrida.
A ascensão dessas empresas reflete a crescente sofisticação de uma vasta indústria de vestuário na província de Fujian, no sudeste do país.
Até agora, a Nike parece ter poucas respostas para a concorrência feroz : suas vendas na China despencaram 17% nos três meses até junho, marcando a oitava queda trimestral consecutiva.
O surgimento das marcas esportivas nacionais da China reflete uma tendência que se espalha por diversos setores. As montadoras chinesas de veículos elétricos, lideradas pela BYD, conquistaram uma posição dominante no mercado interno em detrimento de concorrentes ocidentais.
Marcas ocidentais que vendem de cosméticos a café também enfrentam intensa concorrência de empresas locais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.