Saúde suplementar diminui incorporações e gastos com medicamentos, aponta Interfarma
Estudo identifica reduções no acesso e estima que a área representa 7% das despesas assistenciais dos planos de saúde
O acesso a novos medicamentos nos planos de saúde desacelerou nos últimos anos, segundo estudo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). O levantamento aponta que o ritmo de incorporação de novas moléculas diminuiu em todas as vias de acesso do setor privado. A média anual de novos remédios incluídos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) caiu de cerca de 18,5 para sete.
No último ciclo bienal de atualização do rol, entre 2019 e 2020, 37 novos medicamentos foram incorporados. Já entre 2021 e 2024, foram 28 incorporações em quatro anos. Além disso, a pesquisa indicou que apenas 25% das incorporações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) geraram novas inclusões na saúde suplementar.
Especialistas explicam que esse cenário tem sido impactado também por problemas no próprio processo de análise da Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde). Entre as dificuldades estão a falta de previsibilidade sobre as decisões e de maior padronização dos métodos e critérios utilizados na avaliação das tecnologias. Para eles, essas limitações podem fazer com que a avaliação acabe funcionando como uma barreira ao acesso.
“Vejo um grande problema de comunicação hoje na Cosaúde e demandas que talvez estejam desalinhadas, o que contribui para a dificuldade de critérios claros. As decisões são pouco claras e, muitas vezes, são adotados pesos e medidas diferentes a depender do caso. Isso é ruim para o fornecedor, para as operadoras e para os prestadores de serviço, pois não temos previsibilidade”, ressalta Julia Galendi, coordenadora médica do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde na Unimed.
A pesquisa da Interfarma também aponta que o impacto orçamentário tem assumido peso significativo nas decisões de incorporação, em alguns casos se sobrepondo às evidências científicas sobre as tecnologias avaliadas. Na avaliação da entidade, esse cenário pode levar à priorização de medicamentos que oferecem descontos mais expressivos, mesmo quando apresentam evidências menos robustas.
“Quando tratamos de incorporação ao rol, temos incentivado na ANS a necessidade de nos basearmos em evidências científicas.
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