Lula terá dificuldades para governar com Congresso fortalecido pela direita
Eleito presidente neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente um Congresso Nacional fortalecido pela direita e pelo PL. Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, o partido elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores a partir de 2027, as maiores bancadas nas duas Casas.
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Mesmo com a possibilidade de negociar apoio com partidos do Centrão, como fez nos últimos quatro anos, Lula enfrentará o desafio de construir uma base parlamentar capaz de aprovar suas propostas.
O cenário aumenta a importância das articulações com lideranças partidárias e da disputa pelo comando da Câmara dos Deputados e do Senado. Atualmente, os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apoiam Lula.
A relação do presidente com Alcolumbre, porém, sofreu um desgaste em abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Com a aproximação das eleições e a rejeição de Flávio ao nome de Alcolumbre, os dois voltaram a trocar afagos públicos por necessidade mútua.
Motta, por sua vez, já recebeu o apoio de partidos do centrão e de outras legendas para disputar a reeleição à presidência da Câmara por mais dois anos. Ao longo das últimas semanas, 12 partidos declararam apoio ao seu nome.
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Em 2025, o PL havia declarado apoio a Motta, mas ainda não definiu se o apoiará em 2027 ou se lançará uma candidatura própria para o cargo, sobretudo diante do aumento de sua força na Casa.
No Senado, a disputa tende a ser ainda mais delicada para Alcolumbre. O PL deve lançar Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência da Casa em 2027. Com 28 senadores eleitos, o partido terá a maior bancada e poderá usar esse peso nas negociações com outras siglas.
As presidências da Câmara e do Senado são estratégicas para o governo porque seus ocupantes têm influência sobre a definição das pautas e o andamento de projetos de interesse do Executivo. Contudo, mesmo com a eventual reeleição de Motta e Alcolumbre, Lula poderá não ter quórum suficiente nas votações para tirar seus projetos do papel.
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