Gianecchini fala de peça sobre fascismo: 'É burrice ficar estagnado'
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Protagonista da peça Um Dia Muito Especial , Reynaldo Gianecchini disse que o espetáculo segue atual ao discutir fascismo e empatia em um mundo polarizado. Ele falou sobre o assunto durante entrevista ao Alt Tabet , programa do Canal UOL .
O texto inspirado no filme italiano Um Dia Inesquecível acompanha o encontro entre uma mulher ligada ao fascismo e um homem perseguido por ser gay, e que a trama propõe escuta e transformação em vez de julgamento.
Eu acho que você, quando você se fecha numa ideia, é muito ruim, né? Porque tudo é muito dinâmico também. A gente muda muito. Eu era uma pessoa nos meus 20 anos, outra nos 30, outra nos 40, e estou sendo outra nos 50. Então, assim, é uma burrice você ficar estagnado num lugar que é dinâmico, né? Reynaldo Gianecchini
Gianecchini explicou que a história se passa em 1938, no dia em que Adolf Hitler é recebido na Itália fascista, e que o pano de fundo político ajuda a iluminar o drama humano dos dois personagens no palco.
Essa história se passa em 1938, no dia em que o Hitler é ovacionado, recebido na Itália fascista, porque a Itália fascista achava que o legal mesmo era ser fascistinha Reynaldo Gianecchini
Segundo o ator, o espetáculo não tenta ser "panfletário" e aposta em uma narrativa "leve" para discutir temas que ele considera ainda urgentes, como a violência contra mulheres e a luta LGBT.
De vez eles se julgarem ou se cancelarem, eles param para se ouvir. E a partir daí, então, a gente está falando de empatia. E nesse lugar da empatia, onde você de vez julga o outro, você para para olhar o lado humano, você pode ter uma chance de rever talvez um monte de coisa sua e de aprender. Reynaldo Gianecchini
Ele também relacionou a mensagem da peça ao debate público atual. Para Gianecchini, a polarização se agrava quando as pessoas se recusam a escutar o outro e se fecham em certezas.
Eu nunca tinha percebido tanto essa polarização, onde as pessoas não querem mais ouvir de jeito nenhum. Eu faço exercício, às vezes eu falo: eu quero entender por que aquela pessoa tá pensando daquele jeito tão diferente de mim. E as pessoas não querem nem ouvir. Reynaldo Gianecchini
Na entrevista, o ator disse ainda que segue otimista sobre avanços sociais, especialmente após a pandemia, embora reconheça que "tem muito que andar" em temas como direitos das mulheres e da população LGBT.
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