Casa de Acolhimento de Rio Branco opera com 80 migrantes e supera capacidade máxima
A Casa de Acolhimento aos Migrantes de Rio Branco, que recebe pessoas de países como Venezuela, Peru, Chile e Colômbia, enfrenta um momento de superlotação, apresentado em reportagem do ac24horas nesta quinta-feira (13). O espaço, estruturado com 12 acomodações e capacidade para abrigar 50 pessoas, conta atualmente com pelo menos 80 migrantes.
O secretário municipal de Assistência Social, Ivan Ferreira, detalhou o volume de atendimentos registrado ao longo do ano. “Até a presente data, nós já acolhemos aqui na Casa de Passagem 455 migrantes, de várias nacionalidades, venezuelano, cubano, haitiano. Em 2025, a gente recebeu 600 e poucos imigrantes. Observe que nós estamos na metade do ano e já recebemos essa quantidade”, afirmou.
Segundo o secretário, a estrutura funciona acima do limite previsto no plano de ação aprovado pelo Conselho Municipal de Assistência e pelo Governo Federal. “A capacidade aqui da casa é de acolher até 50. Mas, desde que a gente veio para esse local, desde que foi inaugurado, a gente nunca atendeu só 50 imigrantes, sempre 60, 65. E agora nós extrapolamos”, explicou.
Ivan Ferreira ressaltou que boa parte das pessoas chega em situação de vulnerabilidade e necessidade de cuidados. “Algumas pessoas que procuram aqui o acolhimento são mães solo, mães com crianças, pessoas com deficiência, e a maioria dos imigrantes que estão chegando são doentes. Precisam não só da assistência social, como também da questão de saúde. Em muitos casos, não é da atenção básica, e sim da alta complexidade, que envolve também o Estado. Então, a gente precisa trabalhar a política de migração no âmbito municipal, estadual e federal”, disse.
O secretário também relatou que parte dos migrantes recusa o acolhimento oferecido, o que tem gerado conflitos na região. “Muitas vezes, esse imigrante, quando chega aqui, não aceita o acolhimento. Aqui na frente tem muitas barracas de pessoas que se negam a ter acesso ao serviço. Só querem a água, a alimentação, e tem tido alguns conflitos com os moradores. A pessoa que passa pensa que o Poder Público não está fazendo nada, mas a casa tem regimento interno, tem regras, e a gente não só acolhe como oferece serviços de convivência, fortalecimento de vínculo, tiragem de documentação e encaminhamento para a saúde”, pontuou.
Diante da lotação, a Secretaria Municipal informou que vai acionar o comitê que reúne diferentes órgãos para buscar soluções. “É uma situação bem complexa, não é fácil de resolver, mas com muito diálogo, com o Ministério Público, a Defensoria Pública, o comitê e a Secretaria de Estado de Assistência Social, a gente vai buscar uma solução. A casa está com 80 imigrantes e a tendência é chegar a mais”, declarou Ivan Ferreira.
O secretário afirmou ainda que, mesmo quando não há vagas, o atendimento não é interrompido. “A gente não deixa de atender pela política, porque a pessoa fica em situação de rua. Quando a casa não consegue acolher, a gente atende através de ceias, com alimentação e distribuição de itens de higiene.
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