Decisão que pune Meta fere o modelo de negócio da empresa, diz especialista
A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, fechou um acordo no valor de US$ 16,7 bilhões para encerrar um processo que investigava o uso deliberado de seu algoritmo para viciar crianças e adolescentes em suas plataformas.
Para David Nemer, antropólogo da Tecnologia, ao WW embora as medidas acordadas sejam viáveis, elas colidem diretamente com o modelo de negócios da empresa.
Entre as obrigações assumidas pela Meta estão a limitação do tempo de uso para adolescentes a duas horas diárias, o envio de avisos na tela para usuários com menos de 18 anos que permanecerem mais de 15 minutos consecutivos na plataforma, e a remoção de ferramentas associadas por psicólogos a comparações sociais negativas.
Promessas sem detalhes Nemer destacou que, ao firmar o acordo, Mark Zuckerberg apresentou as diretrizes sem aprofundar os detalhes de implementação.
“É claro que fica muito mais fácil prometer e muito mais difícil implementar isso no próprio design da plataforma”, afirmou o especialista.
Leia Mais Meta fecha acordo de R$ 86 bilhões em processo sobre vício em redes sociais Ex-engenheiro da Meta diz que avisou liderança sobre vício em jovens Meta expande controle de conteúdo para adolescentes nas redes sociais Segundo ele, é necessário entender como as medidas serão efetivamente aplicadas e com quais parâmetros.
O antropólogo também mencionou o contexto brasileiro, citando o ECA Digital — o Estatuto da Criança e do Adolescente no âmbito digital —, que exige que toda conta de criança ou adolescente esteja vinculada à conta de um pai ou responsável.
Para Nemer, esse tipo de exigência é realizável, mas representa um desafio estrutural para a plataforma.
Conflito com o núcleo do negócio De acordo com Nemer, as restrições impostas pelo acordo “ferem no cerne o modelo de negócio do Facebook “.
Ele explicou que a lógica central da empresa sempre foi manter os usuários engajados e produzindo dados para que pudessem se tornar alvos de anunciantes.
“Ele vai ter que parar de usar crianças e adolescentes como alvos de comerciantes que estão ali na plataforma”, ressaltou o especialista.
Para que as mudanças sejam efetivas, Nemer avalia que será necessário reequilibrar o próprio algoritmo da plataforma.
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