Trump minimiza visita do diretor da CIA a Moscou e fala em ‘quase rotineira’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (26/08) que a visita não anunciada do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, a Moscou teve caráter de “semirrotina” e estaria relacionada aos esforços para encerrar a guerra na Ucrânia.
Em conversa com o produtor televisivo norte-americano Glenn Beck, o republicano também rejeitou especulações que circulavam nas redes sociais de que a viagem pudesse estar ligada a uma possível intenção do presidente russo, Vladimir Putin, de ampliar o conflito no leste europeu e “testar a determinação” da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em defender seus integrantes.
A presença de Ratcliffe na capital russa havia sido mantida em sigilo e provocou questionamentos sobre os objetivos da visita. O diretor da CIA chegou a Moscou na terça-feira (25/08) a bordo de uma aeronave de transporte do governo norte-americano, após partir da base aérea de Andrews, em Maryland.
A Casa Branca, a CIA, o Pentágono e a Força Aérea dos EUA não comentaram a viagem. A passagem de Ratcliffe pela Rússia foi confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que afirmou que o chefe da inteligência norte-americana não se encontrou com Putin.
Durante a entrevista, o presidente dos EUA classificou como infundadas as hipóteses apresentadas por Beck e disse que Ratcliffe não teria viajado à Rússia por nenhuma das razões mencionadas. Ainda segundo ele, Washington continua trabalhando para pôr fim ao conflito e afirmou que os dois lados estariam interessados em encerrar a guerra.
John Ratcliffe, diretor da CIA, chegou à capital russa na terça-feira (25/08), em uma visita não anunciada que gerou especulações sobre os objetivos da missão The White House
A viagem de Ratcliffe é a primeira de um diretor da CIA a Moscou desde novembro de 2021, quando o ex-ministro dos Estados Unidos para Rússia, Bill Burns, esteve na capital russa com o objetivo de advertir Putin sobre as consequências de uma possível ofensiva contra a Ucrânia. Logo, em fevereiro de 2022, a Rússia iniciou a invasão em larga escala do país.
Segundo Peskov, os contatos entre os serviços de inteligência continuam mesmo em períodos de forte tensão entre os governos. Porém, ainda é cedo para avaliar se a visita de Ratcliffe poderá produzir uma melhora nas relações entre Rússia e Estados Unidos.
É importante observar que, a passagem do diretor da CIA por Moscou ocorre em meio a novas tensões envolvendo Washington, Moscou e Teerã. Após Trump de entrar em guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, surgiram relatos de que tecnologia de satélite russa estaria sendo utilizada pelas forças iranianas para localizar alvos norte-americanos e de países aliados no Golfo.
Vale destacar que a guerra na Ucrânia continua sem uma solução, já que tropas ucranianas continuam realizando ataques de longo alcance contra estruturas de energia e comércio em território russo, enquanto as forças de Moscou, em retaliação, intensificam os bombardeios com drones e mísseis contra Kiev.
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