O caso do médico processado 40 anos após usar próprio sêmen em inseminação de paciente
Mary Ellen Lukezich, de 71 anos, e o filho Joseph Laedtke Heider, de 43, processaram o médico aposentado Frederick Dettmann, de 91, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, após um teste de DNA, realizado em dezembro de 2024, apontar que o especialista em fertilidade seria o pai biológico de Heider.
Segundo a ação apresentada em 6 de agosto, Dettmann teria substituído o material genético de um doador anônimo pelo próprio durante uma inseminação artificial realizada em 1982, sem o conhecimento ou consentimento da paciente.
Em 1982, Mary Ellen Lukezich procurou Dettmann após medicamentos e cirurgias não terem resultado em gravidez.
O médico recomendou a inseminação artificial e descreveu o doador como um “jovem e saudável estudante de medicina”, mantido em anonimato.
No ano seguinte, nasceu Joseph Laedtke Heider.
Por mais de quatro décadas, mãe e filho não tinham razão para questionar a origem do material genético utilizado no procedimento.
A virada veio em dezembro de 2024, quando Heider submeteu seu DNA ao site Ancestry.com .
Os resultados indicaram uma meia-irmã desconhecida e, ao aprofundar a análise, ele identificou múltiplas conexões genéticas que convergiam para a família de Dettmann.
Segundo a ação judicial, o exame estabeleceu vínculo direto com o ex-médico e apontou ainda outros nove meios-irmãos paternos , todos supostamente filhos biológicos do especialista.
“Recebi um e-mail da Ancestry dizendo que eu tinha uma meia-irmã”, contou Heider à NBC News.
Em coletiva de imprensa, ele descreveu o impacto da revelação: “Palavras não conseguem expressar completamente o que se sente ao descobrir que toda a sua identidade foi construída sobre uma mentira”.
Mary Ellen foi igualmente direta ao relatar como se sentiu.
“Sinto que fui estuprada”, declarou à NBC News.
“Não está certo.
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