O Fluminense de frente para a fascinante chance de fazer a sua democracia
Com a saída de Zubeldia, o Fluminense colocou Marcão, o assistente técnico eterno, no comando do time - como sempre faz quando um treinador é demitido. Marcão, tricolor raiz, profissional brilhante e apaixonado pelas Laranjeiras, é o espaço que existe entre um treinador e outro. Mas não deveria mais ser assim.
A possibilidade real agora é deixar Marcão onde está e dar a Thiago Silva a posição de assistente técnico. Dois é pouco? Três é demais de bom.
Fabio, Thiago e Marcão. Com participação direta do grupo nas decisões sobre treinamento, tática e estratégia de jogo. Marcão gosta de trabalhar assim, Thiago é o cara da tática, Fabio está vendo o jogo de frente e tem a experiência necessária para opinar sobre o que tem que ser feito.
Quem disse que a classe trabalhadora não pode comandar? Os mesmos que querem colocar a função de "gestor" num pedestal. Ninguém entende mais do negócio do que aqueles que estão no chão de fábrica. Seria mais uma anarquia do que uma democracia, mas a palavra anarquia assusta. Não deveria, mas assusta. Anarquia é a ausência de hierarquia, mas não precisamos duelar semanticamente. Falemos em democracia.
Está bem na cara de todos os dirigentes tricolores o que deveria ser feito. Pode dar certo, pode não dar, pode dar até deixar de dar. Só saberemos testando. O elenco é suficientemente maduro para encarar essa aventura. A classificação na Argentina veio com esse triunvirato ajustando o jogo na medida da necessidade. Vai encarar a inovação batendo à porta, Fluzão?
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