Vento político e falta de detalhe põem em dúvida tamanho de corte de Flávio
Feita em julho, quando Flávio Bolsonaro ainda era um azarão na disputa presidencial e não contava com o apoio de nomes de peso do mercado financeiro, a promessa de um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB passou a enfrentar dúvidas diante da falta de detalhamento dos cortes e dos compromissos assumidos pelo candidato, agora com perspectiva de chegar ao poder.
O plano de governo apresentado por Flávio promete um "tesouraço" nas despesas públicas, com a extinção de pelo menos dez ministérios, redução de cargos comissionados e uma reforma administrativa, mas não quantifica a economia esperada.
O número de 1,5% do PIB não aparece escrito no plano, mas foi apresentado em sucessivas reuniões com investidores antes do primeiro turno.
O desafio é que mais de 90% das despesas primárias sujeitas ao limite fiscal são obrigatórias, sobretudo Previdência, pessoal e benefícios sociais, o que deixa pouca margem para um ajuste da ordem de R$ 200 bilhões sem mudanças nas regras que determinam esses gastos.
Nos últimos dias, a coluna conversou com diversos integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, que descartam a possibilidade de detalhar as medidas de ajuste fiscal antes do segundo turno.
Segundo esses interlocutores, a definição das propostas dependerá da escolha do ministro da Fazenda e da formação da equipe econômica de um eventual governo.
Na avaliação desses interlocutores, ainda não é possível determinar com precisão a situação fiscal que um eventual governo Flávio encontrará em janeiro. Como mostrou o UOL , o pacote de bondades apresentado pelo governo no período eleitoral tem um impacto estimado em R$ 74,6 bilhões até o fim de 2027. A coluna enviou um pedido de comentários para a campanha, mas não houve manifestação.
Favorito desde a liderança no primeiro turno, Flávio Bolsonaro tem resistido a anunciar um nome para a Fazenda.
São cotados para o posto: o ex-ministro das Minas e Energia do governo Jair Bolsonaro Adolfo Sachsida, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, o gestor Marcelo Kayath (ex-Credit Suisse) e Mansueto Almeida (hoje no BTG Pactual).
No papel, Flávio Bolsonaro promete entregar um ajuste concentrado na redução dos gastos públicos, sem aumento de impostos e a adoção de teto de gastos vinculado ao nível de endividamento do país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.