Uma ave do deserto consegue transportar água nas penas da barriga por quilômetros e entrega o líquido diretamente aos filhotes
Machos de cortiçol usam penas ventrais especializadas para absorver água e levá-la a filhotes que ainda não conseguem voar
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em regiões áridas da África e da Ásia, machos de cortiçol desenvolveram uma solução incomum para levar água até filhotes que ainda não conseguem voar. O cortiçol molha penas especializadas do ventre em uma fonte distante, voa de volta ao ninho e permite que os jovens retirem o líquido diretamente da plumagem. A estratégia dispensa carregar água no bico e pode funcionar mesmo quando o ninho está a dezenas de quilômetros do ponto de abastecimento.
No cortiçol-de-Namaqua, Pterocles namaqua , as penas do ventre dos machos têm estrutura muito diferente daquela encontrada na maior parte das aves. Bárbulas alongadas e flexíveis mudam de posição quando entram em contato com a água, criando espaços capazes de reter líquido.
Ao chegar a uma fonte, o macho entra na água, baixa o ventre e movimenta o corpo para molhar intensamente essas penas. Depois de encharcadas, elas se fecham parcialmente e ajudam a aprisionar parte da água durante o voo de retorno ao ninho.
Estudos clássicos estimaram que a plumagem ventral de algumas espécies pode absorver aproximadamente 25 a 40 mililitros de água. Parte desse volume é perdida durante o voo, mas uma quantidade significativa permanece disponível quando o macho retorna aos filhotes.
No caso do cortiçol-de-Namaqua, ninhos normalmente ficam a menos de 10 quilômetros de uma fonte, mas distâncias de 25 a 30 quilômetros já foram registradas. Isso torna a retenção de água durante o voo essencial para o sucesso do comportamento.
Este vídeo mostra machos de cortiçol carregando água nas penas e oferecendo o líquido aos jovens.
Quando o macho chega, os filhotes se aproximam de seu ventre e passam o bico pelas penas molhadas. Eles retiram pequenas quantidades de água diretamente da plumagem, como se o conjunto de penas funcionasse temporariamente como um reservatório.
Os jovens nascem relativamente desenvolvidos e conseguem caminhar pouco depois da eclosão, mas não podem voar até as fontes durante as primeiras semanas. O transporte realizado pelos adultos resolve justamente esse intervalo entre conseguir locomover-se no solo e adquirir capacidade de voo.
Microscopia eletrônica e microtomografia mostraram que as bárbulas possuem regiões com propriedades mecânicas distintas. Quando secas, determinadas estruturas permanecem enroladas; quando molhadas, elas se desenrolam, giram e formam uma rede tridimensional capaz de aprisionar água.
Um estudo publicado pela Royal Society demonstrou que diferenças de rigidez entre partes da pena ajudam esse sistema a funcionar. Não é simplesmente uma “esponja”: a arquitetura muda fisicamente durante a imersão e depois ajuda a manter o líquido preso.
Pesquisas modernas com Pterocles namaqua confirmaram que os machos podem atravessar mais de 20 quilômetros depois de molhar o ventre e ainda chegar ao ninho com água suficiente para os filhotes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.