Ibovespa mais ‘investível’ para o gringo? Entenda como as mudanças da B3 podem ajudar o índice
Nesta segunda-feira (14), a B3 começa a divulgar o Ibovespa em dólares. Com isso, o investidor pode acompanhar o desempenho do principal índice da bolsa brasileira a partir da ótica da moeda norte-americana. A notícia pode interessar um importante agente da bolsa nos últimos meses: o gringo .
Para fazer a conversão do Ibovespa para dólar, a B3 utilizará a taxa WMR , atualizada diariamente às 16h, no horário de Londres.
Na avaliação do head de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier , acompanhar o Ibovespa dolarizado é importante, uma vez que se pode referenciar o principal índice doméstico diante de uma perspectiva global e comparável com outros mercados.
“Ao fazer a leitura em dólar, passamos a enxergar a real mudança de preços dos nossos ativos diante de alternativas internacionais, visto que a tendência é vermos os mercados cada vez mais conectados e acessíveis”, explica Xavier.
Além deste benefício, o sócio da AW Capital considera que a novidade torna “muito mais fácil” para o investidor estrangeiro olhar para o mercado brasileiro e entender como tem sido a performance em geral, podendo despertar ainda mais interesse e gerar aumento de fluxo para nossa bolsa.
“Para o investidor estrangeiro, uma leitura automática do nosso mercado em dólar entrega uma facilidade gigantesca, visto que ele poderá identificar de imediato se o nosso mercado é algo que chama a atenção ou não, sem precisar ficar fazendo contas de ajustes cambiais”, afirma.
Na mesma linha, o estrategista de ações da Empiricus Research Matheus Spiess considera natural o Ibovespa em dólar ser uma forma de a bolsa brasileira dialogar melhor com o gringo, visto que os movimentos recentes do índice têm sido sensíveis ao fluxo estrangeiro.
“Isso pode ser um gatilho para a bolsa brasileira nos próximos anos. É um caminho para absorver distorções do mercado brasileiro a tentar fazer um catch-up “, diz.
No primeiro semestre de 2027, a B3 também já informou a inclusão de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de empresas brasileiras na carteira teórica do Ibovespa.
“Temos algumas candidas que podem entrar e são empresas brasileiras que estão listadas lá fora porque, ao longo dos últimos anos, enquanto o mercado brasileiro estava meio ‘esterilizado’, várias companhias domésticas listaram as ações no exterior, em especial no Nasdaq”, afirma Spiess, da Empiricus Research.
De acordo com ele, as empresas, em grande parte, fizeram esse movimento para conseguir múltiplos maiores.
Agora, o Ibovespa terá até 10% de sua composição com BDRs, o que é um fator limitador, na avaliação de Spiess, e as principais candidatas são nomes associados ao setor financeiro ou tech.
“Faz sentido essas empresas entrarem no Ibovespa pelo tamanho e pelo porte, são nomes que trazem liquidez para o índice e trazem uma distorção menor para o que ele é hoje”, detalha.
A principal aposta do mercado é a entrada do BDR do Nubank (ROXO34) . Depois aparecem XP (XPBR31) , PagSeguro (PAGS34) , Inter (INBR32) e a JBS (JBSS32) .
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