Mudanças climáticas podem alterar risco de gelo atmosférico na aviação
Agência de aviação da Europa analisa os riscos do gelo atmosférico para a aviação e aponta lacunas em dados, previsão meteorológica e modelos climáticos
A agência de aviação civil da Europa (EASA) publicou na última terça-feira (18), um novo relatório sobre o estado do conhecimento científico a respeito do gelo atmosférico e seus possíveis impactos sobre a aviação em um cenário de mudança climática.
O estudo, desenvolvido no âmbito da European Network on Impact of Climate Change on Aviation (EN-ICCA), avalia as condições meteorológicas associadas ao fenômeno, os fatores que determinam sua intensidade e a vulnerabilidade de diferentes tipos de aeronaves e fases do voo.
O gelo atmosférico pode se formar em aeronaves quando estas atravessam determinadas condições meteorológicas, incluindo ambientes com gotículas de água super-resfriadas, cristais de gelo e condições de fase mista. A acumulação de gelo pode alterar o desempenho aerodinâmico, afetar a confiabilidade de motores e representar um fator de risco para a segurança operacional.
O relatório da EASA também analisa os mecanismos atualmente empregados pela indústria e pelos operadores para reduzir esses riscos. Entre eles estão requisitos de projeto e certificação das aeronaves, procedimentos operacionais e sistemas de previsão meteorológica.
Apesar dos avanços nas capacidades de previsão meteorológica, a EASA identifica lacunas relevantes na capacidade de caracterizar determinados ambientes de formação de gelo. Entre os principais desafios estão a previsão da intensidade do congelamento e a identificação das condições envolvendo cristais de gelo durante o voo.
A disponibilidade limitada de observações meteorológicas, a resolução dos modelos e a representação da microfísica das nuvens também podem comprometer a avaliação precisa das condições de gelo atmosférico.
Essas limitações são particularmente relevantes porque a formação e a intensidade do gelo dependem da interação de diferentes variáveis atmosféricas, incluindo temperatura, conteúdo de água líquida, concentração de cristais de gelo e características das nuvens.
O estudo também avalia como a mudança climática poderá modificar o risco associado ao gelo atmosférico. Segundo a EASA, as evidências disponíveis sobre tendências futuras ainda são limitadas, mas pesquisas preliminares indicam que alterações climáticas podem modificar a frequência, a altitude e a intensidade de determinadas condições de congelamento.
A agência ressalta que ainda não há base científica suficiente para estabelecer uma tendência futura abrangente para todos os tipos de gelo atmosférico relevantes para a aviação. O comportamento do fenômeno também pode variar conforme a região, altitude e configuração meteorológica.
Para melhorar a avaliação do risco climático, o relatório aponta a necessidade de ampliar conjuntos de dados climatológicos e aperfeiçoar os métodos de modelagem. A melhoria das observações e da representação da microfísica das nuvens é considerada relevante para aumentar a capacidade de identificar e caracterizar ambientes favoráveis à formação de gelo.
A EASA recomenda dois eixos estratégicos de trabalho.
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