Queda das ações atinge quase todos os setores da Bolsa
Varejo e construção lideram perdas; Hapvida recua 54,1%, Cosan perde 46,3% e Cyrela cai 44,7%
O mercado reagiu com forte desvalorização em praticamente todos os setores da Bolsa brasileira nesta 2ª feira (26.out.2026), depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quedas expressivas em empresas de varejo, saúde, construção civil, educação, bancos e energia.
O movimento ocorreu no 1º pregão depois do 2º turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25.out), quando Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL). A reação negativa dos investidores provocou uma queda de 13,88% no Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), que encerrou o dia aos 176.608,23 pontos. O dólar avançou 8,21%, cotado a R$ 5,4029.
O levantamento de 77 ativos mostra que a pressão vendedora não ficou restrita a um segmento específico. Das empresas analisadas, 72 registraram perdas e 5 apresentaram valorização.
Entre as maiores quedas, além do Magazine Luiza, destacaram-se Hapvida (HAPV3), com recuo de 54,1%; Cosan (CSAN3), de 46,3%; Cyrela (CYRE3), de 44,7%; e Dasa (DASA3), de 44,2%.
As perdas também foram expressivas entre empresas ligadas ao consumo doméstico e dependentes de financiamento, segmentos particularmente sensíveis às expectativas sobre a trajetória dos juros.
O varejo concentrou algumas das maiores desvalorizações do pregão. O Assaí Atacadista (ASAI3) caiu 43,4%, enquanto o Grupo Casas Bahia (BHIA3) perdeu 38,1%.
As ações da Lojas Renner (LREN3) recuaram 33,8%, as do Grupo Mateus (GMAT3) caíram 30,1% e as da Americanas (AMER3) perderam 26,2%.
O setor imobiliário também registrou perdas generalizadas. A Cyrela recuou 44,7%, a EZTEC caiu 41% e a Even (EVEN3) perdeu 36,3%. Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11), administradoras de shopping centers, registraram quedas de 25,2% e 24,5%, respectivamente.
A pressão sobre esses segmentos ocorre em um ambiente de elevação dos juros futuros, que encarece o crédito, reduz a capacidade de financiamento das famílias e afeta as expectativas de consumo e investimento.
As empresas de saúde estiveram entre as mais penalizadas. A Hapvida perdeu 54,1% de seu valor de mercado por ação, enquanto a Dasa caiu 44,2%. A Rede D’Or (RDOR3) recuou 21,3%.
Na educação, todas as empresas listadas no levantamento apresentaram desvalorização. A Ânima Educação (ANIM3) caiu 42,8%, a Ser Educacional (SEER3) perdeu 38,1%, a Cogna (COGN3) recuou 37,4% e a YDUQS (YDUQ3) registrou queda de 35,6%.
O setor financeiro também foi atingido. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 29,6%, enquanto o BTG Pactual (BPAC11) perdeu 23,9% e o Bradesco (BBDC4) recuou 21,3%.
O Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 13,6% e o Santander Brasil (SANB11), 5,01%. A própria B3 (B3SA3), responsável pela infraestrutura do mercado de capitais brasileiro, registrou desvalorização de 35,9%.
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