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Economia

Após vitória de Lula provocar 'circuit breaker', Ibovespa fecha com maior queda desde a pandemia

Por Redação 5News · · com informações de Valor Investe
Após vitória de Lula provocar 'circuit breaker', Ibovespa fecha com maior queda desde a pandemia

Eleições 2026: Mercado de ações brasileiro em Nova York despenca 27% após confirmação de Lula

O principal fundo de índice dedicado às ações brasileiras negociado em solo norte-americano registrou uma queda acentuada na segunda-feira, 26 de outubro, refletindo a reação dos investidores internacionais ao resultado das urnas do dia anterior. O iShares MSCI Brazil ETF, conhecido pela sigla EWZ, recuava aproximadamente 27% antes mesmo da abertura regular dos mercados, com suas cotas cotadas em torno de US$ 31. Essa movimentação marca a primeira resposta do capital estrangeiro à definição da disputa presidencial, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato à frente da Presidência da República.

Resultado das urnas e consolidação da vitória presidencial

No domingo, 25 de outubro, completou-se o processo eleitoral com a realização do segundo turno da eleição presidencial. Os números colhidos pelas urnas apresentaram uma vitória para o candidato apoiado pela coligação de esquerda. Lula conquistou um total de 64,2 milhões de votos, correspondendo a 51,8% do total de votos válidos. Seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro, vinculado ao Partido Liberal de Rio de Janeiro, recebeu 59,8 milhões de votos, representando 48,2% dos votos válidos. A eleição se encerrou com margens relativamente estreitas, refletindo um eleitorado brasileiro profundamente dividido entre as duas propostas e visões de futuro apresentadas pelos candidatos.

A campanha eleitoral do segundo turno foi marcada por tensões e expectativas variadas quanto aos rumos econômicos e políticos que o país adotaria. As pesquisas de intenção de voto realizadas imediatamente antes da eleição apresentavam cenários distintos entre si, gerando incerteza sobre qual seria o resultado final. Uma pesquisa divulgada em 23 de outubro indicava Lula com 50,6% das intenções de voto contra 49,4% de Flávio, sugerindo uma leve vantagem para o presidente em exercício. Porém, outra sondagem do mesmo período apontava a situação invertida, com Flávio à frente com 52% ante 48% de Lula, o que alimentava especulações sobre qual candidato realmente gozava de maior apoio popular.

Padrões de participação e comportamento do eleitorado

Além da definição da vitória presidencial, os números das urnas revelaram transformações significativas na participação e composição do voto comparativamente ao primeiro turno. A abstenção, que no primeiro turno havia alcançado 33,4 milhões de eleitores, reduzindo-se a 20,9% do total de votantes, diminuiu ainda mais no segundo turno, chegando a 30,5 milhões de ausências, o que representou 19,2% da população eleitoral. Essa diminuição da abstenção entre uma votação e outra demonstra uma mobilização maior dos eleitores no momento da decisão final entre os dois candidatos remanescentes.

Paralelamente, também se verificou uma redução expressiva nos votos em branco e nulo. No primeiro turno, essas categorias haviam somado 5,9 milhões de votos, equivalendo a 4,8% do total de sufrágio. No segundo turno, esse volume se reduziu para 4,2 milhões de votos, representando 3,2% do total. A queda na quantidade de protestos eleitorais e abstenções relativas sugere que o eleitorado se polarizou em torno das duas opções principais, deixando de lado outras formas de manifestação do desagrado ou indiferença.

Primeiro turno e sinais contraditórios do voto

A trajetória até o resultado final do segundo turno começou com surpresas no primeiro turno, realizado em 5 de outubro. Naquele momento, as urnas indicaram uma liderança para o candidato que posteriormente seria derrotado. Flávio Bolsonaro conquistou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma inversão em relação ao que a maioria das pesquisas de intenção de voto havia apontado nas semanas que antecederam aquela votação. Essa ultrapassagem pela direita criou um cenário de incerteza sobre qual seria o resultado final quando apenas dois candidatos permanecessem na disputa.

O papel crucial do ETF EWZ como indicador do mercado

Para compreender por que a queda de 27% do iShares MSCI Brazil ETF representa uma informação tão relevante, é necessário entender qual é a função desse instrumento financeiro no contexto dos mercados globais. O EWZ é um fundo de índice negociado na Bolsa de Nova York, especificamente no segmento NYSE Arca, que reúne as maiores empresas de capital aberto do país. Entre suas participações mais expressivas encontram-se gigantes como a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, e a Petrobras, principal empresa de energia do país.

Na prática, o ETF funciona como um termômetro do interesse e da confiança que investidores internacionais depositam na economia e nas perspectivas de rentabilidade dos ativos brasileiros. Quando esses investidores reduziram suas posições de forma tão dramática, isso sinalizou uma reavaliação dos riscos associados ao país após a confirmação do resultado eleitoral. A magnitude da queda anterior à abertura regular dos mercados indica que a reação foi imediata, sem espaço para reflexão ou processamento mais longo dos dados.

A importância do capital estrangeiro para o mercado local

O movimento do EWZ em resposta às eleições não é meramente simbólico, mas reflete uma dinâmica real e profunda da forma como capital internacional flui para e sai do mercado acionário brasileiro. Os investidores estrangeiros representam uma força absolutamente decisiva na B3, a bolsa de valores brasileira. Dados disponíveis até o dia 21 de outubro indicam que, entre janeiro e essa data, o capital externo tinha acumulado um saldo positivo de aproximadamente R$ 47,6 bilhões no mercado secundário de ações.

Para contextualizar esse montante, é relevante observar que os investidores institucionais brasileiros, no mesmo período, acumulavam um saldo negativo de R$ 46,4 bilhões, sugerindo que estavam reduzindo suas posições ou enfrentando resgates. Os investidores pessoas físicas brasileiras, por sua vez, registravam um saldo positivo de apenas R$ 883,1 milhões, valor que representava apenas 1,85% do volume de recursos oriundos do exterior. Essa proporção ilustra como o mercado de ações brasileiro depende fundamentalmente da demanda internacional.

O primeiro turno e a reação positiva do mercado

A dinâmica da resposta dos mercados às eleições já havia se manifestado de forma clara após o primeiro turno eleitoral. No dia seguinte à votação de 5 de outubro, a B3 registrou um fluxo diário recorde de capital estrangeiro, totalizando R$ 10,06 bilhões em entradas no mercado secundário de ações. Essa entrada massiva de recursos externos ocorreu em resposta tanto ao resultado das urnas quanto à configuração que se desenhou para o Congresso Nacional.

Na ocasião, a composição das eleições legislativas apontou para um Congresso com tendências mais conservadores e centro-direita, o que aparentemente foi bem recebido pelo capital internacional. Essa preferência do mercado por um cenário político de viés mais à direita sugeriu que os investidores estrangeiros buscavam garantias de estabilidade fiscal, reformas econômicas liberalizantes e proteção de direitos de propriedade.

O que acompanhar

Os desdobramentos imediatos que merecem observação incluem a continuação da trajetória do EWZ nos próximos dias de negociação, pois esse movimento inicial pode ser apenas o primeiro passo de uma reavaliação maior dos mercados em relação ao país. Também será importante monitorar o comportamento do Banco Central e das autoridades econômicas na condução da política monetária e fiscal em resposta à pressão cambial e de preços que pode resultar dessa saída de capital. A composição final do Congresso e a capacidade de diálogo entre o Executivo e o Legislativo também se apresentam como elementos cruciais para determinar se essa desconfiança inicial do mercado se aprofundará ou será revertida. Além disso, devem ser acompanhadas as declarações dos novos integrantes da equipe econômica que será formada, na medida em que sinalizarão qual será a direção das políticas de estabilização fiscal e taxa de juros.

Principais pontos:

• ETF EWZ de ações brasileiras caiu 27% em segunda-feira após confirmação da eleição de Lula no segundo turno com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.

• Capital estrangeiro é decisivo para o mercado brasileiro, tendo acumulado entrada de R$ 47,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, superando em muito a participação dos investidores locais.

• Primeiro turno havia apontado vitória de Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula, criando cenário de incerteza até o segundo turno.

• Mercado reage negativamente ao resultado, indicando preocupação do capital internacional com as perspectivas econômicas sob a gestão confirmada pela eleição de Lula.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Valor Investe — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.

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