Desembargadora relata fala de juíza: "Indígena só trabalha escravizado"
A desembargadora Cristiana Maria Valadares Fenelon, do Tribunal de Justiça da 3ª Região (TRT-3) relatou que uma juíza do TRT-11 e atuante no Amazonas teria dito a ela que indígena “só trabalha se for escravizado”.
O TRT-11 negou a acusação.
Leia também Brasil Justiça determina que Renan Santos apague post com ataques a indígenas Distrito Federal TRE veta mandato coletivo e DF passa a ter dois candidatos indígenas O relato da desembargadora foi feito durante sessão do Tribunal Pleno do TRT-3 em 13 de agosto.
Os magistrados discutiam sobre a Política Regional de Justiça Itinerante na Justiça do Trabalho que visa “garantir acesso judicial e serviços de cidadania a populações isoladas e vulnerabilizadas”.
Cristiana Fenelon questionou os colegas sobre a aplicação prática da medida e citou a questão de comunidades indígenas.
“Estive conversando com uma juíza do Amazonas e ela me disse que em comunidade indígena, índio só trabalha se for escravizado.
Caso contrario, não trabalha para ninguém.
Essas comunidades indígenas, você não vai encontrar trabalhador, só escravizado e escravizado à força “, afirmou a desembargadora.
Colegas rebateram a magistrada e disseram que a política havia sido instituída pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e que foi determinado que os TRTs a aplicassem.
TRT-11 nega fala atribuída a juíza Após a fala da desembargadora viralizar nas redes sociais, o TRT-11 se manifestou .
Por meio de nota, a presidência do Tribunal afirmou que “a magistrada do TRT-11 não reconhece como suas as declarações que lhe foram atribuídas”.
“A presidência manifesta total solidariedade à magistrada, cuja carreira exemplar é marcada pelo compromisso com a Justiça e pela atenção às realidades dos povos originários que habitam esta imensa Região Amazônica”, completou a nota.
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