PL reduz candidatos e deixa Flávio sem palanque na maioria de estados do NE
Flávio Bolsonaro (PL) vai contar com os palanques de apenas três candidatos ao governo no Nordeste. O número representa menos da metade do que seu pai, Jair Bolsonaro, teve na eleição de 2022: foram oito dos nove estados da região naquele ano. Eram palanques compostos por candidatos do PL ou por aliados de outros partidos que pediam votos ao ex-presidente.
De acordo com a campanha de Flávio, essa decisão segue uma estratégia nova para a região, cujo objetivo é reduzir a margem de votos de Lula por meio de apoios aos candidatos aos governos que possam derrotar o PT. Ou seja: fortalecer a corrida nos estados mesmo que os indicados para a disputa não peçam voto para Flávio.
Seguindo essa linha, o PL decidiu lançar ao governo apenas três candidatos próprios —em 2022, foram cinco. O partido formou coligação para apoiar outros quatro, de outras legendas, que têm força para derrotar a esquerda. Nenhum deles, no entanto, vai apoiar Flávio Bolsonaro.
O PT tem um plano diferente para o Nordeste. Todos os nomes lançados ou apoiados pelo partido pedem votos para Lula.
Na eleição passada, todos os bolsonaristas foram derrotados ainda no primeiro turno ou saíram da disputa por renúncia ou cassação da chapa. Lula, por outro lado, viu em 2022 seus aliados vencerem em oito estados — a exceção foi Pernambuco .
Agora, o PL terá candidatos próprios em apenas três dos nove estados: Paraíba (Efraim Filho), Rio Grande do Norte (Álvaro Dias) e Sergipe (Ricardo Marques). A nova estratégia tenta evitar a repetição das derrotas de 2022 e garante a Flávio esses palanques.
Em 2022, o PL focou na candidatura própria de Nilvan Ferreira na Paraíba (ficou em terceiro, com 18,68% dos votos) e de Fábio Dantas (Solidariedade) no Rio Grande do Norte (terminou em segundo, com 22,22%). Em Sergipe, a aposta era em Valmir de Francisquinho (PL), que liderava as pesquisas, mas cujo registro de candidatura foi negado na reta final da campanha .
Em Alagoas, o PL fez coligação com JHC (PSDB) para disputar o governo contra Renan Filho (MDB), apoiado por Lula.
JHC era filiado ao PL até abril, quando deixou o partido após a direção nacional negar a ele uma eventual candidatura ao Senado. A saída selou um afastamento do bolsonarismo (no qual havia mergulhado de cabeça no segundo turno da eleição de 2022) e que já era notado pela classe política desde 2023.
Em 2022, Jair Bolsonaro tinha uma situação oposta: um candidato ao governo que o apoiava, Fernando Collor (então no PTB), mas que não recebeu nenhum vídeo sequer pedindo votos a ele.
Na Bahia, o PL aderiu à candidatura de ACM Neto (União Brasil), único com chances de derrotar a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT). Mas ACM já avisou que vai apoiar o amigo Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência —apesar de o PSD local apoiar o candidato do PT.
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