ANP não permitirá ganhos excessivos em monopólios do gás, diz diretora
A diretora da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Symone Araújo afirmou nesta 3ª feira (22.set.2026) que a agência não permitirá que empresas que operam monopólios naturais no setor de gás tenham ganhos extraordinários.
A declaração foi dada durante a ROG.e 2026, evento de energia promovido pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e realizado no Rio de Janeiro.
“ Não é possível que o regulador permita que quem opera um monopólio natural possa ter ganhos extraordinários.
Então isso nós não deixaremos acontecer ”, afirmou.
Symone disse que a regulação precisa conciliar a remuneração dos investimentos necessários para ampliar a oferta de gás com preços capazes de tornar o combustível competitivo para os consumidores.
Segundo ela, infraestrutura é um dos pontos centrais dessa equação, porque os investimentos precisam abranger desde a produção até as redes de transporte e distribuição.
A diretora também defendeu ampliar o acesso às infraestruturas existentes.
Disse que a ANP vem promovendo um “ destravamento ” das diferentes etapas da cadeia e citou o escoamento como a primeira infraestrutura essencial depois da produção.
A discussão ocorre enquanto a ANP avança na regulamentação do chamado Gas Release , programa voltado à redução da concentração na oferta de gás natural.
Em agosto, a agência abriu consulta pública de 45 dias sobre uma proposta que projeta leilões anuais de 2027 a 2030 para a venda de volumes hoje comercializados pela Petrobras, incluindo gás comprado pela estatal de terceiros, importado pelo Gasoduto Brasil-Bolívia e volumes oriundos dos futuros leilões de gás da União.
Segundo a área técnica da ANP, a Petrobras responde por cerca de 59% das vendas de gás no país.
A agência avalia que a concentração da oferta e o controle exercido pela estatal sobre infraestruturas de escoamento e processamento limitam a entrada de outros fornecedores.
O Gas Release busca aumentar o número de vendedores e estimular a concorrência.
A Petrobras contesta a proposta e afirma que a medida redistribuiria volumes já disponíveis, sem necessariamente elevar a oferta ou reduzir os preços.
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