Como a antropologia forense identifica vítimas e desaparecidos anos após as mortes
Mesmo décadas após uma morte – e, em alguns casos, até mesmo séculos depois – os ossos continuam guardando informações capazes de responder perguntas que nenhuma testemunha conseguiu esclarecer.
É esse “diálogo” entre os remanescentes humanos e a ciência que move a antropologia forense.
Na prática, o trabalho vai além da investigação criminal, e envolve devolver uma identidade a pessoas desaparecidas.
Identificar um corpo pode também permitir que pais enterrem filhos, que irmãos conheçam o destino de familiares desaparecidos e que vítimas de conflitos, tragédias ou da violência urbana deixem de ser apenas um número nos registros oficiais.
O que dizem os ossos? Ao contrário do que o nome pode sugerir, a antropologia forense não estuda apenas esqueletos antigos.
A disciplina faz análises técnicas de remanescentes humanos em contextos legais, e busca a identidade de pessoas que já não podem ser reconhecidas pelos métodos convencionais.
Crimes contra a humanidade, como os assassinatos cometidos pelo governo brasileiro durante a Ditadura Militar, têm encontrado respostas até os dias de hoje, passadas décadas Memórias da Ditadura Segundo Cláudia Plens, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e fundadora de um dos primeiros cursos destinados à futuros antropólogos concursados pela Polícia Federal, a primeira missão é estabelecer um "perfil biológico" da vítima.
Em outras palavras, transformar um conjunto de ossos em um conjunto de características que possam ser comparadas com informações de pessoas desaparecidas.
A partir da análise do esqueleto, é possível estimar quatro informações fundamentais: sexo, idade aproximada, estatura e afinidade populacional - conjunto de características genéticas passadas de geração para geração.
“Estimativas a partir dos ossos são feitas para determinar quem aquela pessoa poderia ser”, explica Plens.
Essa reconstrução depende da observação minuciosa de diferentes partes do corpo.
A pelve, por exemplo, costuma ser o osso mais confiável para estimar o sexo biológico devido às adaptações relacionadas ao parto.
O fêmur fornece uma das melhores estimativas da estatura do indivíduo.
As clavículas, por sua vez, podem oferecer pistas relacionadas à idade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.