Coral branco cresce sobre pedras metálicas a mais de 4 mil metros de profundidade e vira uma das novas espécies descritas por museu britânico
Nova espécie do Pacífico vive diretamente sobre nódulos polimetálicos em uma região estudada para possível mineração submarina
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No fundo escuro do Pacífico, onde a pressão é extrema e não existe luz solar, pequenas estruturas brancas foram encontradas presas a pedras ricas em metais. Elas pertencem a Deltocyathus zoemetallicus , uma espécie de coral profundo descrita em 2025 a partir de exemplares da zona Clarion-Clipperton. O animal vive diretamente sobre nódulos polimetálicos, transformando um recurso cobiçado pela mineração em seu substrato conhecido.
Deltocyathus zoemetallicus é um coral escleractínio solitário, grupo formado por animais capazes de construir esqueletos de carbonato de cálcio. Sua aparência é branca, com uma borda que lembra uma pequena coroa ou franja, característica que também inspirou o apelido em inglês “Nodule Crown Coral”.
Os exemplares foram coletados aproximadamente entre 4.150 e 4.250 metros de profundidade, e não exatamente a 5 mil metros. Ainda assim, vivem na planície abissal da Clarion-Clipperton, uma das regiões oceânicas profundas mais estudadas atualmente por causa da grande quantidade de nódulos metálicos espalhados pelo sedimento.
Nódulos polimetálicos são concreções minerais que se desenvolvem extremamente devagar sobre o fundo oceânico. Eles concentram principalmente manganês e ferro, além de metais como níquel, cobre e cobalto. Em algumas áreas da Clarion-Clipperton, aparecem espalhados pelo sedimento como pedras arredondadas.
Para vários animais, esses nódulos têm outra função: fornecem uma superfície dura numa paisagem dominada por lama macia. D. zoemetallicus chamou atenção porque é o primeiro coral escleractínio conhecido no Pacífico oriental descrito vivendo diretamente preso a esses nódulos.
Este vídeo apresenta a nova espécie e sua associação incomum com nódulos metálicos do fundo do Pacífico.
Diferentemente dos corais tropicais mais conhecidos, D. zoemetallicus é azooxantelado. Isso significa que não depende das algas fotossintéticas simbióticas que fornecem grande parte da energia aos corais de recifes rasos. Em plena escuridão, sua alimentação depende de matéria orgânica e pequenos organismos disponíveis na água.
Outro desafio está na química oceânica. Alguns exemplares foram encontrados perto ou abaixo da profundidade de compensação dos carbonatos, região onde o carbonato de cálcio tende a dissolver-se com maior facilidade. Mesmo assim, o animal consegue produzir e manter seu esqueleto, indicando adaptações fisiológicas ainda pouco compreendidas.
Os pesquisadores combinaram características anatômicas tradicionais com técnicas modernas. Imagens de alta resolução e microtomografia computadorizada em três dimensões permitiram analisar detalhes do esqueleto e compará-los com outras espécies conhecidas do gênero Deltocyathus .
O Natural History Museum de Londres incluiu D. zoemetallicus entre as 262 espécies descritas em 2025 com participação de seus pesquisadores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.