Denúncias de assédio eleitoral se multiplicam e MPT aciona políticos que incentivam demissões
O Ministério Público do Trabalho ( MPT ) recebeu cerca de 240 denúncias de assédio eleitoral nas 24 horas seguintes a definição das eleições presidenciais, realizada no domingo (25/10).
Em dois dias, esse número mais que dobrou: foram registradas 530 reclamações.
As queixas têm origem em manifestações de parlamentares, influenciadores e empresários que incentivam a demissão e a retaliação de trabalhadores por causa do voto.
O movimento foge ao padrão observado.
O assédio eleitoral costumava se concentrar antes da votação, quando empregadores pressionam funcionários a votar em determinado candidato.
Agora, multiplicam-se os relatos de perseguição e demissão de trabalhadores que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito para o quarto mandato.
Para o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, demitir trabalhadores por convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT na Justiça do Trabalho.
“O MPT está atento a todos os casos denunciados e vai atuar de forma célere e firme, aplicando as penalidades cabíveis em cada caso concreto”, afirmou.
“A empresa é dona do seu negócio e não do voto do seu empregado.” Oliveira recomenda que os trabalhadores guardem prints ou gravações de tela das publicações para agilizar as investigações.
E que a denúncia seja feita pelo site mpt.mp.br.
O procurador-geral também cobrou as plataformas digitais: “O MPT reforça que as plataformas digitais têm responsabilidade e precisam estar atentas para remover imediatamente conteúdos ilícitos”. ‘Empregado que odeia empresário’ Nesta terça-feira (27/10), o MPT no Rio de Janeiro obteve liminar contra a deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada do estado.
Em publicação no Instagram, para cerca de 1 milhão de seguidores, ela sugeriu que empresários monitorassem as redes sociais dos funcionários e demitissem quem tivesse apoiado Lula: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o ‘L’.
Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.
A decisão do juiz Leonardo Saggese Fonseca, da 3ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, determina que a deputada retire as publicações questionadas de todos os locais em que foram divulgadas, especialmente sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.