No futebol de robôs, brasileiros perdem dos chineses, mas ganham do resto
A equipe brasileira de futebol nos Jogos de Robôs Humanoides , em Pequim, perdeu para uma equipe chinesa na segunda-feira, na quadra central. Foi um jogo difícil, com problemas de hardware, robôs quebrando a ponto de sobrarem só dois, a certa altura, contra quatro chineses na linha.
No dia seguinte, num campeonato paralelo só para equipes não-chinesas e em quadra menor, venceu em sequência a Malásia e os Emirados Árabes Unidos, chegou à final e derrotou a Itália por 2 a 1, em 30 minutos emocionantes. O segundo gol, que fechou o placar, foi no meio das pernas do goleiro italiano.
Os oito jovens brasileiros, sete homens e uma mulher, com camisetas amarelas ao lado do campo, gritaram, festejaram e reclamaram do juiz humano ao longo da partida, enquanto corriam com robôs machucados ou punidos. Um gol brasileiro foi anulado. No fim, os estudantes comemoraram como uma final de Copa do Mundo .
Eles haviam sido escolhidos pelos centros de robótica de instituições como o Centro Universitário FEI, a Universidade do Estado da Bahia e a Federal de Goiás, a pedido do professor Flavio Tonidandel, que já tinha trazido uma equipe no ano passado, restrita à FEI. Agora veio "uma seleção", segundo ele.
Em Pequim, receberam os novos robôs T2 da Booster Robotics, empresa criada a partir da Universidade Tsinghua, e tiveram pouco mais de duas semanas para prepará-los para jogar futebol. Chegaram a virar a noite, fazendo ajustes de posicionamento, equilíbrio, direção, como o humanoide resolve marcar, tocar na bola, chutar.
São robôs autônomos, que decidem por si mesmos suas ações. Durante a partida, recebem instruções de um programa que é como um juiz eletrônico, complementar ao humano, avisando quando é lateral etc.
Cada estudante chegou com uma ideia diferente de código, de como desenvolver estratégia, e o grupo precisou achar consensos. Dividiram-se em subgrupos, para o goleiro e os quatro jogadores de linha, para cobrar escanteio, tiro de meta, pênalti. Prepararam, por exemplo, como um robô decide ir para a bola e avisa os outros três da linha para não irem. Também como sua visão localiza a bola. São ações de inteligência artificial, explicam.
Sobre o Brasil desenvolver robô próprio, Pedro Pizarro, que veio da USP São Carlos, afirmou que o país tem pesquisadores de robótica, mas não uma cadeia de produção, como na China. Tem a WEG, "que é uma das maiores produtoras de motor elétrico do mundo e poderia fazer o motor para os humanoides, mas aí precisaria de incentivo".
Ao que parece, embora Pequim ainda não tenha confirmado, o presidente Xi Jinping vai a Nova Déli para a cúpula do grupo Brics no próximo dia 12, retornando à Índia pela primeira vez em sete anos. Antes, neste domingo, talvez encontre o primeiro-ministro Narendra Modi no Quirguistão, para a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (SCO), de que ambos também fazem parte.
É o momento de indicar um livro de referência lançado em 2004 pelo britânico John M. Hobson, da Universidade de Sheffield, "The Eastern Origins of Western Civilization", as origens orientais da civilização ocidental.
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