Brasil defende Bachelet após retirada de candidatura para chefiar ONU
O Brasil defendeu a ex-presidente chilena Michelle Bachelet depois de ela ter anunciado a retirada de sua candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Em comunicado, o Itamaraty afirmou que a ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos “é uma prova de que nossa região conta com mulheres à altura do cargo e plenamente comprometidas com a Carta das Nações Unidas e com a promoção do diálogo e do entendimento entre os Estados Membros da Organização”.
O governo brasileiro destacou que coapresentou a candidatura de Bachelet “em razão de seus elevados atributos pessoais e profissionais” e relembrou que a ONU nunca teve uma mulher à sua frente.
O comunicado conclui pontuando que o Brasil “reitera seu compromisso com a seleção transparente e inclusiva de um(a) secretário(a)-geral comprometido(a) com um multilateralismo baseado no direito internacional e com os três pilares da Carta da ONU: paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável”.
Leia mais: ONU abre Assembleia Geral sem perspectiva de sucessor para Guterres Michelle Bachelet retira candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU Candidata a secretária-geral da ONU promete foco na prevenção de conflitos Bachelet era apoiada pelo Brasil e pelo México para suceder António Guterres, mas perdeu força nas consultas .
Na última votação informal , ela recebeu apenas 1 voto a favor e 11 contra.
Na consulta anterior, realizada em 21 de agosto, ela havia recebido dois votos favoráveis, seis contrários e sete abstenções.
Até o momento, a candidata Rebeca Grynspan , da Costa Rica, lidera a votação, com nove votos favoráveis, cinco contra e uma abstenção, enquanto Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, recebeu oito votos favoráveis.
“Hoje anuncio que decidi não continuar com minha candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Michelle Bachelet (@michellebacheletpdta) “Alguns acreditarão que não era o momento para uma candidatura como a que eu quis representar, quando os ventos sopram fortemente contra princípios como o multilateralismo, contra o direito internacional, que é permanentemente transgredido, contra a existência das mudanças climáticas, que alguns negam apesar das evidências científicas, e contra a democracia e os direitos humanos, que estão em perigo”, continuou.
“Pelo contrário, embora desde o início estivesse na contramão, estou convencida de que era o momento de levantar a voz em defesa desses princípios que foram a bandeira da minha candidatura e que carreguei com orgulho”.
Bachelet disse ainda que não se arrepende.
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