Tarcísio encerra mandato com piora gradativa nas contas e aponta investimento maior em PPPs
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) encerra seu mandato em São Paulo com uma piora gradativa de alguns dos principais indicadores de saúde financeira , segundo dados analisados pela Folha . Ao longo dos últimos quatro anos, houve uma virada nas contas do mais rico estado do Brasil, que saiu de um superávit para déficit orçamentário. Ainda assim, a gestão afirma que aumentou o investimento por meio de PPPs (parcerias público-privadas).
Em 2025, as contas paulistas registraram um déficit orçamentário (receitas realizadas menos despesas) de R$ 12,2 bilhões, o pior resultado desde 1995 em percentual do Orçamento do estado. Para 2026, último ano do mandato do governador, as projeções oficiais apontam para um déficit superior a R$ 9 bilhões.
Esta é a primeira reportagem da série Estado das Contas, sobre situação fiscal dos cinco estados mais populosos do país.
Tarcísio tentará a reeleição neste ano e, de acordo com o último Datafolha , lidera com 45% das intenções de voto.
Antecessor no cargo, o ex-governador Rodrigo Garcia entregou as contas do estado de São Paulo com um superávit orçamentário de R$ 9 bilhões, em 2022, último ano do mandato. Isso equivale a R$ 11,1 bilhões em valores atuais, corrigidos pela inflação.
De 2019 a 2022, São Paulo registrou um superávit orçamentário médio de R$ 5,6 bilhões por ano. De 2023, primeiro ano do mandato de Tarcísio, a 2025, a média anual é de déficit de R$ 1,8 bilhão.
Especialistas apontam que o aumento das renúncias fiscais e a não contenção de algumas despesas, como gastos previdenciários, explicam a deterioração das contas do estado.
A Folha fez um raio-X das contas de São Paulo analisando bases públicas de dados disponíveis nos sites da Secretaria de Fazenda do estado e do Tesouro Nacional.
O mapeamento mostrou que a deterioração não representa uma mudança abrupta nas contas para um cenário de crise fiscal , mas um processo gradual de piora, que tem levado também a uma redução do superávit primário (saldo positivo) das contas do estado, a uma diminuição do saldo líquido de recursos em caixa, além do aumento das renúncias fiscais e do rombo da Previdência estadual.
O déficit da Previdência cresceu R$ 13 bilhões de 2023 a 2025, alcançando R$ 36,8 bilhões no ano passado, com as despesas previdenciárias atingindo R$ 58,1 bilhões. O governador já defendeu a reforma da previdência e ensaiou propor mudanças nas regras, mas acabou não enfrentando o problema durante o seu mandato.
Procurado pela Folha , Tarcísio de Freitas escalou o secretário de Fazenda, Samuel Kinoshita, para falar sobre o assunto.
"Os dados mostram um cenário bom, benigno, e que deve melhorar. Eu estou muito animado com São Paulo", diz Kinoshita.
O secretário não contestou os números apresentados pela Folha , mas ponderou que o melhor indicador é o resultado primário para as contas públicas, que segue positivo. O secretário enviou duas versões da leitura dos números de SP em notas oficiais sobre o tema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.