Riqueza dá mais poder político aos mais ricos, aponta Oxfam
A concentração de renda e patrimônio no Brasil também se traduz em desigualdade de acesso ao poder político.
É o que aponta um relatório da Oxfam Brasil, que relaciona a distribuição de riqueza à capacidade de grupos econômicos de influenciar eleições, políticas públicas, regulações e decisões sobre recursos do Estado.
Intitulado Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia , o estudo analisa a relação entre desigualdade econômica e poder político.
Segundo o levantamento, pessoas e grupos com maior poder econômico têm mais recursos para financiar campanhas, fazer lobby, acessar autoridades e participar do debate público.
A desigualdade também aparece na ocupação dos espaços de poder.
Mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente vulnerabilizados continuam sub-representados tanto na política quanto entre os detentores de patrimônio.
Leia também : Desigualdade de renda persiste no Brasil, aponta relatório “Enfrentar as desigualdades no Brasil exige olhar não apenas para quanto cada pessoa ganha, mas também para quem acumula patrimônio, quem controla recursos e quem possui condições muito superiores para influenciar as decisões do Estado.
A democracia perde força quando o poder econômico se transforma em poder político desproporcional”, afirma Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil.
Renda cresce, mas riqueza fica concentrada O relatório aponta melhora em alguns indicadores sociais, como aumento do rendimento médio, redução da pobreza e efeitos das políticas de proteção social e transferência de renda.
A concentração de riqueza, porém, permanece elevada.
Entre 2017 e 2023, a parcela da renda nacional recebida pelo 1% mais rico passou de 20,4% para 24,3%.
Cerca de 85% desse crescimento ficou concentrado entre os 0,1% mais ricos, enquanto metade foi para o 0,01% no topo da distribuição.
Leia também : Pobreza diminui no Brasil, mas desigualdade social volta a crescer A diferença aumenta quando o indicador analisado é o patrimônio.
Entre os declarantes do Imposto de Renda em 2023, os 10% mais ricos concentravam 64,2% da riqueza declarada.
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