Mercado aumenta aposta em novas altas de juros nos EUA; entenda o que mudou
O mercado aumentou fortemente as apostas de que o Federal Reserve (Fed) terá de continuar elevando os juros nos próximos meses para conter a inflação nos Estados Unidos.
Pesquisa da CNBC com economistas, gestores e estrategistas mostra que passou de 46% para 86% a parcela dos entrevistados que prevê pelo menos mais uma alta nos próximos 12 meses.
Mais da metade, 55%, já espera mais de um aumento nesse período.
Para esta quarta-feira (16), já é dada como praticamente certa uma alta de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de juros de 3,75% para 4% ao ano.
A novidade, portanto, não está nessa decisão, mas no que o mercado passou a esperar para depois dela: um terço dos entrevistados pela CNBC já prevê pelo menos três aumentos nos próximos 12 meses.
A mudança de percepção já aparece no mercado de títulos americanos.
O rendimento do papel do Tesouro de 10 anos superou 5% nesta terça-feira (15) e atingiu o maior nível desde julho de 2007, período que antecedeu a crise financeira global de 2008.
O retorno do título de 30 anos também alcançou o maior patamar desde 2007, acima de 5,4%.
Por trás dessa virada está principalmente o petróleo.
O WTI voltou a superar US$ 106 por barril nesta terça, em meio ao conflito com o Irã e às restrições no Estreito de Ormuz.
Combustíveis mais caros aumentam os custos de transporte e produção e podem acabar contaminando os preços de outros produtos e serviços.
Esse risco já aparece nas projeções.
Cerca de 75% dos participantes da pesquisa da CNBC avaliam que o problema inflacionário americano vai além da energia.
A estimativa média para a inflação em 2026 subiu para perto de 3,5%, ainda distante da meta de 2% do Fed.
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