Previsíveis, Lula e Flávio correm atrás do eleitor-pêndulo
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Como seria previsível, a estreia dos principais rivais da disputa presidencial no horário eleitoral gratuito de rádio e TV neste sábado (28) trouxe Lula ( PT ) e Flávio Bolsonaro ( PL ) demonstrando cautela.
O mantra do falecido marqueteiro Duda Mendonça (1944-2021), o homem que tornou palatáveis para o eleitor Paulo Maluf e o próprio Lula, sempre assombra a largada das disputas: "Quem bate, perde".
A primeira rodada de propagandas trouxe o presidente e o filho do antecessor apenado Jair Bolsonaro em modo paz e amor quase completo, apenas com pitadas ácidas. Foi um aperitivo do que deve vir, tematicamente, em termos de ataques.
O senador fluminense associou brevemente Lula à insegurança, um tema fácil de colar em governos de esquerda, enquanto o petista lançou mão da vinheta negativa que circulara na véspera com a ficha de suspeitas sobre Flávio antes de seu programa começar de fato, tática conhecida e eficaz.
Mas o prato principal de ambos foi a agenda positiva. Na falta de experiência administrativa, Flávio se apresentou como homem de família, reduziu a presença do pai a um aposto, e enfatizou a juventude de seus 45 anos ante os 80 do rival. Sem dancinha.
Apenas pincelou o que deve ser explorado à frente, como o endividamento de famílias e a crise das empresas. Talvez ciente da própria vulnerabilidade, deixou o caso Lulinha para depois.
Dedicou boa parte de seus 4min20s de tempo para se dirigir às mulheres em que seu desempenho nas pesquisas é pior, ainda que tenha escorregado ao falar que elas mandam "em casa" —sugerindo o lugar em que elas devem estar.
Lula, por sua vez, fez uma recapitulação de sua trajetória, insinuando temas de propaganda futura, como a defesa da escala 6x1, talvez a única coisa novidadeira que tenha a dizer —se a bagagem de três mandatos lhe traz trunfos, o desgaste e a falta de inovação são evidentes.
O presidente surge como um estadista, com direito a imagem apertando a mão do seu malvado favorito, Donald Trump, ao mesmo tempo em que é vendido como o antagonista dos "traidores da pátria" —o clã Bolsonaro, não nomeado.
Como Lula e Flávio têm a rejeição de quase metade do eleitorado cada, eles miram neste momento o eleitor que de fato interessa, o pendular que costuma ser identificado aos 24% que se dizem não alinhados ao lulismo ou ao bolsonarismo, segundo o Datafolha. Afinal, 49% deles dizem que podem mudar de voto.
Essa equação de saída tende a ser substituída ao longo do pleito. Se a aposta de Lula na escala 6x1 vingar, é provável que a positividade ocupe mais espaço do que a agressividade do presidente na embalagem da TV e rádio.
Por outro lado, a caixa de ferramentas, como bem deve lembrar a reconvertida Marina Silva acerca de sua experiência em 2014, estará de prontidão em cenário adverso.
Na rabeira da corrida, os dois outros candidatos com direito a tempo de TV e rádio, Ronaldo Caiado ( PSD ) e Augusto Cury ( Avante ) fizeram o esperado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Poder.