Data centers podem consumir energia equivalente ao Paraná até 2030
Com o avanço da adoção da inteligência artificial (IA), o consumo de energia por data centers no país pode chegar, até 2030, a um volume semelhante ao de um estado industrializado como o Paraná. Hoje, o segmento representa entre 0,3% e 0,4% do consumo total de energia do Brasil.
A estimativa é de Victor Soares, responsável pela área de comercialização de energia do Santander. "O consumo hoje é pequeno, mas, ainda assim, já equivale ao de uma cidade grande. Nos próximos anos, vamos multiplicar esse consumo dos data centers mais de 20 vezes", destacou ele na quinta-feira (20), durante a terceira edição do MinutoMega Talks -evento organizado pelo site MegaWhat, do qual o UOL é parceiro.
Além da IA, o aumento do consumo de energia vai ser impulsionado pela migração de servidores empresariais para a nuvem. Hoje, os data centers consomem cerca de 300 MW médios no Brasil. O volume equivale à demanda de aproximadamente 1,2 milhão de habitantes.
A projeção para os próximos anos considera contratos de conexão e pedidos apresentados ao setor elétrico. Os projetos com maior possibilidade de implantação, de acordo com o executivo, somam 5,7 GW médios.
Os data centers fazem parte da rotina de quem usa serviços como Pix, armazenamento na nuvem e ferramentas de inteligência artificial. A infraestrutura física permanece pouco visível, mas sustenta uma parcela crescente das atividades digitais.
Já vivemos a era dos data centers. Quando usamos Pix ou ChatGPT, estamos usando essa infraestrutura. Marcela Martins, diretora de gestão energética da Ascenty.
As instalações ficaram maiores e mais intensivas em energia. Empresas que antes mantinham pequenas salas de servidores passaram a contratar grandes estruturas na nuvem, enquanto a IA exige processadores mais potentes.
A Ascenty possui 21 data centers em operação no Brasil, dos quais 17 estão no estado de São Paulo. A concentração acompanha a localização dos clientes, o consumo de dados e a infraestrutura de conectividade.
O problema do segmento é que um data center pode ficar pronto em 18 meses, enquanto a expansão da rede elétrica necessária para atendê-lo pode levar de três a quatro anos. A diferença entre os prazos dificulta a conexão de novos projetos à rede.
Os prazos ainda não casam. É por isso que estamos tendo problemas de conexão. Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy
Os maiores centros voltados à inteligência artificial podem exigir entre 100 MW e 500 MW. Além da potência elevada, eles precisam de fornecimento contínuo e de circuitos redundantes para continuar operando mesmo diante de falhas. "Hoje eu tenho pouquíssimos pontos com essa disponibilidade de carga, 24 horas por dia, sete dias por semana e com redundância", afirmou Freitas.
A indústria de equipamentos também precisa ampliar a capacidade produtiva. Transformadores e outros componentes passaram a ser disputados por projetos de transmissão e pelos próprios data centers. "O mercado tem condições de atender, mas não no prazo necessário se não houver planejamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.