Honestidade relativa
Quem relativiza a honestidade também relativiza a corrupção, pois os ladrões estão de ambos os lados.
Em relação à nossa disputa presidencial, para não perder o meu precioso tempo, tenho assistido aos pronunciamentos de apenas dois candidatos, já que são os únicos com possibilidade de chegar ao 2º turno nas próximas eleições. Reporto-me aos candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, justamente a dupla que vem dando realce à nossa nociva polarização política.
Eu, particularmente, gostaria que houvesse surgido uma 3ª candidatura com possibilidade de quebrar a referida polarização, e isto porque, em sendo mantida a predominância entre os dois candidatos acima citados, iremos atravessar o que de fato já estamos enfrentando: um verdadeiro clima de guerra. Seja para o bem ou para o mal, a polarização Lula/Bolsonaro e as consequentes seitas que a representam, o lulismo/bolsonarismo, continuarão prevalecendo no decorrer do quadriênio 2027/2030.
Preocupa-me saber que a nossa “direita”, como assim são rotulados os seus partidários, rendeu-se aos caprichos do ex-presidente Jair Bolsonaro e este, por sua vez, impôs a candidatura do seu filho, Flávio Bolsonaro — isto em desfavor da candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esta sim uma candidatura que se oporia, e com chances de vitória, à do atual presidente Lula.
Se todas as pesquisas estão anunciando que a candidatura do atual presidente Lula leva alguns pontinhos de vantagem, ainda assim, o candidato Flávio Bolsonaro vem resistindo com seus 40% de aceitação, percentual este que o leva a pensar que será possível reverter os atuais prognósticos.
Pior ainda: ao invés de os referidos candidatos se reportarem aos reais problemas que estamos enfrentando e a diversos outros que poderão vir, o combate à corrupção tem sobressaído em todos os seus pronunciamentos, a se destacar as acusações que pesam contra o Lulinha, o filho do presidente Lula, e o filme Dark House, uma denúncia do tipo peso-pesado que envolve e atinge diretamente a pessoa do próprio candidato Flávio Bolsonaro.
No início do atual processo eleitoral, a nossa direita dispunha de uma série de candidatos a presidente, mas todos eles absolutamente conscientes de que o presidente Lula, na pior das hipóteses, ultrapassaria a barreira do 1º turno. Daí a pergunta que não quer calar: os candidatos que se opuseram às candidaturas do presidente Lula e à do senador Flávio Bolsonaro, bem como seus eleitores, como se comportarão no 2º turno?
Vença quem vencer e se eleja quem se eleger para presidir o nosso país nos próximos quatro anos, de uma coisa tenhamos a absoluta certeza: se continuarmos regidos pela nossa atual legislação partidária e eleitoral, as nossas crises políticas continuarão, e em detrimento do nosso próprio regime democrático. Voto não tem preço, e sim, valor.
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