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Candidaturas de militares caem pela primeira vez desde 2002

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Candidaturas de militares caem pela primeira vez desde 2002

Dos 20.501 candidatos registrados nestas eleições, 921 usam patentes no nome de urna ou declaram integrar as forças de segurança. A participação desse grupo no total de candidaturas recuou de 5,1% para 4,5%.

A queda acompanha a redução geral no número de concorrentes . Nas eleições gerais, o total caiu 29,9%, de 29.262 pessoas disputando cargos em 2022 para 20.501 em 2026. Entre integrantes das forças de segurança, a retração foi maior: 37,8%, de 1.480 para 921 candidatos. As informações foram levantadas pelo UOL a partir da base de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Presença de integrantes das forças de segurança recua pela primeira vez desde as eleições de 2002. Foram 921 nomes em 2026, ante 1.480 nas eleições de 2022.

PL segue como a legenda com maior concentração de nomes fardados. O partido consolidou-se como o principal destino dessas candidaturas, reunindo 141 candidatos, seguido pelo partido Republicanos (91) e Podemos (74).

Regra permite retorno de militares à ativa após a eleição. Desde a Constituição de 1988, militares das Forças Armadas com mais de dez anos de serviço podem se afastar temporariamente para disputar eleições. Se não forem eleitos, podem retornar à ativa e, caso ganhem a corrida eleitoral, passam para a inatividade no momento da diplomação.

Presença de militares na política foi impulsionada pelo bolsonarismo. Para o doutor em sociologia e pesquisador do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da USP) Felipe Ramos Garcia, a identificação política com o ex-presidente fomentou candidaturas de membros das forças de segurança.

Participação fardada na política é antiga. Garcia lembra que a presença militar na política brasileira é, no entanto, anterior a Jair Bolsonaro.

A participação dos militares na política institucional não é um fenômeno que nasceu com o bolsonarismo. Ele se intensifica, mas a pauta da segurança pública sempre foi mobilizada por membros das Forças Armadas. Felipe Ramos Garcia, sociólogo e pesquisador do NEV-USP

Falta de propostas de civis para a segurança pública abre espaço para militares. Segundo Garcia, políticos não militares —em especial representantes de centro-esquerda— negligenciaram o tema da violência ao longo dos anos, deixando essa pauta nas mãos de representantes das Forças Armadas.

Acesso a armas por candidatos gera preocupação democrática. "Fazer lobby sendo um professor com uma caneta na mão é uma coisa, agora tendo arma e tanque é outra", afirma Garcia.

PEC 42/2023 propõe afastamento definitivo da ativa. Em tramitação no Senado, a Proposta de Emenda Constitucional determina que militares das Forças Armadas passem para a reserva ao registrar a candidatura.

Candidaturas militares abrangem nomes de urna e ocupações declaradas. O levantamento do UOL considera candidatos que utilizam termos como "tenente", "sargento" e "coronel", ou que em sua declaração de ocupação mencionem ser membros das Forças Armadas, PMs e militares reformados.

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