Autoridades temem queda de voto brasileiro nos EUA por medo de ação do ICE
Autoridades brasileiras que atuam nos EUA apontam que o temor em relação à deportação pode reduzir a presença dos cerca de 265 mil eleitores do Brasil registrados para votar para presidente, em outubro, em algum dos estados americanos.
Os EUA concentram a maior quantidade de votantes do Brasil no exterior, mas a comunidade vê subir a tensão em meio ao aperto no cerco migratório recente. Hoje, a Folha de S.Paulo noticiou que o consulado de Nova York se preocupou em determinar um local de votação para reduzir filas nas ruas e a possibilidade de batidas migratórias .
O UOL conversou com autoridades do Brasil em outros dois Estados americanos com grande presença brasileira que confirmaram o cenário de preocupação.
Em julho, o ICE, sigla que denomina a polícia migratória norte-americana, prendeu quase 50 mil pessoas, um aumento de 70% em relação a fevereiro de 2026, sob ordens diretas do presidente Donald Trump.
"Acreditamos que a crescente hostilidade do ICE terá, sim, um impacto sobre o comparecimento dos brasileiros às urnas em todos os EUA", afirmou uma autoridade brasileira que atua no processo eleitoral no país.
"O comparecimento nesta eleição tende a ser menor do que em outras", afirmou outro embaixador brasileiro em área distinta do país, citando não apenas o temor em relação ao ICE, mas também o aumento considerável do preço da gasolina no país, em decorrência da guerra com o Irã. Isso pode afugentar eleitores brasileiros que estejam distantes dos locais de votação.
"Há a percepção de que o risco existe, tanto do lado brasileiro, de quem vai votar, quanto das autoridades americanas locais que convivem com a comunidade brasileira", afirmou esta autoridade brasileira nos EUA.
Um dos americanos a expressar esse tipo de preocupação às autoridades do Brasil foi o prefeito da cidade de Framingham, em Massachussets, o democrata Charlie Sisitsky. A região tem uma das maiores concentrações de brasileiros nos EUA, e a comunidade é uma voz política relevante ali.
Os pontos de votação são reconhecidos como áreas de vulnerabilidade, já que os locais são informados de antemão para autoridades americanas e não existe nenhum tipo de vedação à atuação policial ou migratória nos arredores das seções eleitorais. "Haverá filas de brasileiros do lado de fora, não há como impedir isso de acontecer", disse um cônsul brasileiro no país.
As autoridades brasileiras ressaltam, porém, que a percepção de risco e a chance de deportação varia de Estado para Estado. Em Massachusetts, onde fica ¼ da comunidade de cerca de 2 milhões de brasileiros, a polícia local não coopera com o ICE, mas entrega às autoridades migratórias brasileiros que tenham sido presos após cometer algum tipo de delito. Já na Flórida, a polícia local coopera com a fiscalização do ICE — e o estado, que abriga 25% dos brasileiros, compartilha com o Texas o primeiro lugar em número de detenções recentes do ICE.
Desde o início do segundo mandato de Trump, as comunidades de migrantes mudaram de comportamento em todo o país. No caso brasileiro, a presença nos cultos evangélicos, por exemplo, caiu significativamente, mas mostrou recuperação nos últimos meses.
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