Bets e crédito livre disputam renda das famílias, diz CEO da CMS Brasil
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As apostas online disputam o orçamento das famílias , tumultuando ainda mais a vida financeira de uma população já bastante endividada, diz Marcelo Marcílio, que é CEO da CMS Brasil, ecossistema que reúne empresas de crédito e risco.
" As bets preocupam porque se vê o volume de dinheiro que isso vem atraindo. Se você faz isso com consciência, da mesma forma que você consome alguma coisa para lazer, está dentro da normalidade", diz. "Obviamente, é uma disputa ali pelo orçamento de cada um e à medida que isso avança muito, as pessoas podem perder a mão e causar problema ."
Em entrevista ao programa C-Level, Marcílio diz que, além das bets, outro fator de preocupação por também afetar o orçamento das famílias é o uso do crédito como complementação da renda . "Aí você entra num problema grande porque no mês seguinte vai ser preciso pagar um pedaço [da dívida] ou ela inteira. Mas, se ele não acompanha a renda, como é que você vai resolver isso?".
O endividamento das famílias em relação à renda alcançou recordes próximos de 50%, segundo o Banco Central, enquanto pesquisas setoriais apontam 82% dos lares com algum tipo de débito.
Segundo Marcílio, as pessoas acabam se enrolando não só pelo motivo mais óbvio, a necessidade, mas também pelo acesso facilitado ao crédito.
"À medida que o banco hoje está na palma da sua mão, há o desafio de lidar com o propósito do crédito. É mais fácil quando a gente fala de financiar um carro ou financiar uma casa. Mas se o crédito não é direcionado, no mercado chama-se crédito livre, ele pode tomar, às vezes, um destino que não é tão claro e pode prejudicar".
Marcílio não concorda com o diagnóstico segundo o qual programas como o Desenrola , lançados para contornar o quadro de alto endividamento da população, premiam maus pagadores.
Para ele, de modo geral, são uma forma de incentivar a renegociação de dívidas em condições mais favoráveis e de maneira organizada.
"Ninguém deve porque quer. A pessoa passou por algum problema, pela perda de emprego, por uma situação de saúde, para ajudar um parente", afirma. "Quando as pessoas têm a oportunidade de regularizar, elas vão fazer. Só que até que elas consigam fazer isso, sofrem um período sem crédito."
No entanto, ele afirma que programas desse tipo devem ser pensados em conjunto com outras ações que ajudem a população a voltar ao sistema de crédito.
A renegociação antecipada —a troca de dívida mais cara por mais barata, como o proposto pelo Desenrola — é uma saída, diz. A outra, mais perene, seria a educação financeira.
" A educação financeira é um dos pilares para lidar com dinheiro . Passa por ensinar desde criança.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.