Se for eleito e copiar Milei, Flávio destruirá o SUS
Não se deve dourar a pílula.
O mais provável, hoje, é que Flávio Bolsonaro seja eleito presidente do Brasil, ainda que os mais civilizados torçam por algum fato novo que reverta as projeções e dê vitória a Lula.
Fato é que o medo impera.
É alta a chance de que o herdeiro do golpista Jair, no Planalto, ocupe-se prioritariamente de soltar o pai, emplacar pautas medievais no Congresso e entregar aos Estados Unidos tudo que Donald Trump quiser.
Em paralelo, paira uma dúvida de natureza tanto econômica quanto humanitária: os princípios histérico-liberais de Javier Milei servirão mesmo de modelo a um governo Flávio? A precarização do trabalho na Argentina de Milei é assustadora.
O fechamento de mais de 31 mil empresas e a perda de cerca de 245 mil empregos formais privados sob a gestão “libertária” empurraram a força de trabalho para o monotributo, regime de arrecadação simplificada para trabalhadores autônomos e para aplicativos de entrega.
Organizações sociais e sindicatos argumentam que o crescimento do “trabalho por conta própria” não representa o empreendedorismo genuíno, mas sim uma estratégia de subsistência em um mercado cuja taxa de desemprego subiu para 7,9%, maior índice desde 2021.
Nesse formato, o trabalhador assume todos os riscos fiscais e operacionais sem garantias contratuais.
De acordo com o relatório oficial do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a indigência saltou de 6,3% para 7,5% da população na Argentina sob Milei.
Isso significa que cerca de 2,2 milhões de argentinos nas áreas urbanas pesquisadas não têm o básico para comer diariamente.
Mas é na saúde que Javier Milei rompe todas as rédeas do bom senso.
O Ministério da Saúde, após uma queda orçamentária superior a 30%, vê-se amarrado às rígidas metas de déficit zero e superávit primário impostas pelo governo.
A gestão Milei desmantelou o histórico programa “Remediar”, criado em 2002 para garantir a entrega gratuita de medicamentos em cerca de 7.800 centros de atenção primária na Argentina, afetando a assistência a milhões de cidadãos vulneráveis.
A austeridade cega também reduziu drasticamente as verbas destinadas à compra e à distribuição de medicamentos para tratamento de câncer.
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